O nome do primeiro restaurante dos Magalhães não poderia ser mais apropriado. “O Destino” abriu há quatro anos, no centro da capital. No Verão do ano passado, já com a crise no auge, avançaram com um novo projecto: uma marisqueira, em Cascais.
Ter restaurantes não foi propriamente um caminho programado pelos Magalhães. Pedro e Rita estiveram ligados ao negócio das telecomunicações durante muitos anos, mas quando a investida falhou por saturação do mercado, fecharam a loja de telemóveis. Ficaram com um espaço livre, no centro da capital, junto ao Coliseu dos Recreios. Foi ali que deram o primeiro passo na restauração, há quatro anos.
É no restaurante “O Destino” que Pedro passa grande parte do dia, gerindo, actualmente, oito empregados. Serve-se comida típica portuguesa, essencialmente aos turistas que por ali circulam. Tal como no restaurante de Cascais, a Cervejaria Marisqueira Camões, que abriu em Junho de 2010, num largo central da vila, as mesas vão sendo preenchidas por estrangeiros. Os clientes portugueses têm vindo a desaparecer aos poucos porque “não há dinheiro para gastar dez ou quinze euros numa refeição”, explica Pedro. A aposta neste negócio nasceu da “necessidade”, conta Rita, explicando que “foi um caminho que apareceu, uma solução” para não ficarem parados.
A família Magalhães anda em contra-ciclo, porque a restauração tem sido uma das actividades mais afectadas pela crise. As estimativas da associação do sector apontam para o encerramento de 1500 espaços só em 2010, contabilizando restaurantes e hotéis. Mas, em simultâneo, continua a ser uma actividade onde muitos portugueses encontram uma saída, por exemplo, para situações de desemprego, porque não há propriamente requisitos de habilitações literárias. Só talento e, claro, capital. E é precisamente este último factor que muitas vezes condena os estabelecimentos à falência, porque o dinheiro tem de aparecer para fazer face às despesas diárias, mesmo que os clientes não apareçam.