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A 1 de Janeiro de cada ano, o Papa propõe uma mensagem para o Dia Mundial da Paz. Não sendo a primeira mensagem da paz dedicada por um Papa a este tema, Bento XVI retoma questões debatidas na Cimeira de Copenhaga sobre o clima, em Dezembro último, para defender “uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento”, acusar os países industrializados de serem responsáveis pela “crise ecológica” que se vive e dizer que é necessário “reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações”.
O Papa assinala anualmente o Dia Mundial da Alimentação, através de uma mensagem. Nesta, que coincidiu com o 60º aniversário da criação da Organização Mundial das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, a 12 de Outubro), Bento XVI “recorda que a fome e a subalimentação são, infelizmente, um dos escândalos mais graves que ainda afectam a vida da família humana, o que torna cada vez mais urgente a acção empreendida” sob a orientação da FAO.
Na sequência do Sínodo dos Bispos sobre a eucaristia, o Papa publicou a 22 de Fevereiro de 2007 este texto acerca da importância da missa na vida dos católicos, no qual pede mais “sobriedade” aos fiéis. Ao clero indica como “bom” um maior uso do latim e do canto gregoriano, mantendo a obrigação do celibato para o presidente da celebração. “É necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de géneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia”, escreve o Papa, que reafirma a indissolubilidade do matrimónio ou a impossibilidade dos divorciados recasados poderem comungar. O texto insiste sobre as questões da arte e da beleza: arquitectura, pintura, música e escultura devem manifestar o “gosto pela beleza”.
Documento publicado a 4 de Novembro de 2009 que estabelece uma espécie de “diocese” sem território, com um bispo próprio, para os anglicanos que, descontentes com a ordenação de mulheres e de padres e bispos homossexuais na Comunhão Anglicana, pediram para ser integrados na Igreja católica. O “Times” de Londres considerou a decisão como a “mais explosiva nas relações entre católicos e anglicanos depois da Reforma” do século XVI, embora vários sectores anglicanos tenham acolhido bem a iniciativa do Vaticano. O próprio primaz da Comunhão Anglicana e arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, teve um encontro “cordial” no Vaticano, como Papa Bento XVI, depois de anunciada a decisão. No encontro, os dois líderes recordaram “a vontade comum de prosseguir e reforçar as relações ecuménicas entre católicos e anglicanos”. De acordo com o Vaticano, há centenas de anglicanos, incluindo padres e umas duas dezenas de bispos, que queriam ser acolhidos na Igreja Católica.
São sete páginas publicadas a 19 de Março de 2010 para manifestar “vergonha” e “remorsos” e propor “caminhos de cura”. Sete páginas que foram lidas em todas as paróquias irlandesas e nas quais o Papa reconhece a responsabilidade de toda a Igreja Católica nos actos pedófilos, diz que a resposta aos problemas foi “muitas vezes inadequada”, dirige-se às vítimas louvando a coragem de terem falado, manifesta-se “verdadeiramente desolado” e disponível para se encontrar com representantes das vítimas. Ao mesmo tempo, aponta uma série de iniciativas concretas para tentar ultrapassar a profunda crise em que o catolicismo irlandês mergulhou.
A primeira encíclica do Papa Bento XVI foi divulgada também via internet a 25 de Janeiro de 2006. O documento aponta a necessidade de a Igreja se empenhar mais e melhor nas suas instituições de caridade. Ao mesmo tempo, o Papa quer que a caridade seja colocada no centro da missão da Igreja, num tempo e num mundo que associa o nome de Deus ao “ódio” e à “violência”. Na primeira parte do documento, assumidamente filosófico e teológico, Bento XVI propõe uma leitura positiva do eros grego, discutindo diferenças e aproximações entre o eros e o ágape cristão. O Papa recorda que o cristianismo foi mesmo censurado por ter sido “adversário da corporeidade”. “Mas o eros degradado a puro ‘sexo’ torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria”, escreve Bento XVI. Por isso, adverte que o modo de hoje exaltar o corpo é “enganador”. A palavra “amor” tornou-se “uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas”. Por contraste, escreve o Papa Ratzinger, o ágape cristão exprime o amor como verdadeira “descoberta do outro, superando assim o carácter egoísta que antes claramente prevalecia”. “O amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura, ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes procura-o.”
Dirigida só aos católicos, a encíclica Spe Salvi (publicada a 30 de Novembro de 2007), a segunda do pontificado de Bento XVI, recusa a ideia de que a humanidade será salva pelas revoluções políticas (incluindo o marxismo), pelo progresso científico ou pelo ateísmo, numa reflexão pessoal e quase intimista. O título remete para uma citação da Carta aos Romanos, texto que tradicionalmente era atribuído a São Paulo: “Foi na esperança que fomos salvos.” A esperança é uma das três virtudes teologais, consideradas pela doutrina católica como dons de Deus, e que sintetizam o cristianismo: fé, esperança, amor. Não faltam, no texto, nomes do pensamento europeu (Emmanuel Kant, Karl Marx, Fiodor Dostoïevski) e exemplos de pessoas que, segundo o Papa Ratzinger, foram capazes de dar testemunho da esperança cristã. “Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar-me a mim mesmo? Deveremos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal.”
Neste documento (datada de 29 de Junho de 2009, publicada em 7 de Julho), considerado por várias pessoas como o mais importante do seu pontificado, Bento XVI pede uma refundação da ONU, uma autoridade mundial que seja eficaz no “governo da economia” e alerta para a necessidade de os mais pobres não ficarem de fora na globalização e eliminar a fome para preservar a paz. O texto tem o subtítulo “Sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade” e é a terceira encíclica de Bento XVI, a primeira de carácter social.