Vinhas da Ira
Jonh Steinbeck


 


Prémio Nobel
1962


 

As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, amanhã nas bancas
Por LUCINDA CANELAS

Tiragem de 100 mil exemplares

A Colecção Mil Folhas encontra no romance de Steinbeck um retrato realista da América do final dos anos 30. Uma obra feita de situações extremas que se transformou num inquietante clássico do século XX

Percorrendo as estradas poeirentas, entre Oklahoma e a Califórnia, uma família de agricultores procura, com tenacidade, uma vida melhor. Pelo caminho, longo e sinuoso, os Joad - símbolos da coragem americana, num período marcado por uma grave crise económica que conduziu milhões de pessoas à fome e ao desespero (a Grande Depressão) - encontram outros migrantes apostados em mudar de rumo, dispostos a trocar as suas modestas terras de cultivo, afectadas pela seca ou por chuvas intensas, por uma promessa de futuro, por mais incerta que seja. É neste cenário de extremos que decorre a acção de "As Vinhas da Ira", de John Steinbeck, um dos romances-ícone do século XX, o nono título da Colecção Mil Folhas, já amanhã nas bancas.

Escrita em 1939, no final de uma década que os críticos consideram ser a mais produtiva do autor norte-americano, a obra viu a sua importância frequentemente comparada à do mítico romance de Harriet Beecher Stowe, "A Cabana do Pai Tomás", e a viagem dos Joad, em direcção a uma "terra prometida", acabou por ganhar contornos bíblicos.

De um realismo lancinante, extremamente atento ao pormenor, "As Vinhas da Ira" traça um retrato perturbante da América dos anos 30/40, a partir de uma série de personagens-tipo que vão dando a conhecer ao leitor o que de melhor se pode revelar num ser humano, quando exposto à pior das situações.

Neste romance, que muitos definem como o reflexo perfeito do estilo Steinbeck - marcado por uma análise profunda e uma crítica político-social abrangente -, o autor reflecte sobre a desigualdade, partindo de grupos de pessoas que, ao verem-se obrigados a empreender um longo êxodo, acabam por evidenciar toda a sua vulnerabilidade. "As Vinhas da Ira" não coloca apenas no centro do debate temas como a ausência de poder, a violência que resulta do desespero ou a ternura que se pode instalar entre duas pessoas que à partida parecem partilhar o mesmo destino - obra de Steinbeck volta-se, sobretudo, para a ideia de um homem em luta por um objectivo, seja a justiça ou uma parcela de terreno.

Neste volume, o responsável por títulos como "A Leste do Paraíso", "A Pérola", "A Um Deus Desconhecido" ou "O Inverno do Nosso Descontentamento" garante o acesso a uma América capaz da maior das desilusões e, ao mesmo tempo, da mais estranha das entregas.

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