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Copenhaga tem de “dar um passo sólido”, diz líder da Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu

Ricardo Garcia, 1 de Dezembro de 2009

Jo Leinen
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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O presidente da Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu, Jo Leinen, defende que os Estados Unidos devem ir além das metas já anunciadas por Barack Obama para a redução de gases com efeito de estufa. Leinen, 61 anos, vai liderar a delegação do Parlamento à cimeira climática de Copenhaga. O PÚBLICO conversou com o eurodeputado, em Estrasburgo.

A UE diz que se os Estados Unidos aceitarem uma meta de redução de emissões a dois tempos – modesta até 2020 e mais ambiciosa depois –, e adoptarem medidas compensátórias, isto seria aceitável. Qual é a sua opinião?
Não devemos aceitar que outros parceiros no mundo se mantenham muito confortáveis e relaxem quanto às suas obrigações e compromissos em relação à protecção climática. A UE deve fazer pressão para um objectivo a médio prazo e também para um objectivo a longo prazo. Devemos ater-nos a objectivos comparáveis em 2020, e não adiar até 2030 para os Estados Unidos e 2040 para a China. Sem isso, duvido que alcancemos a meta dos 2º C [de aumento máximo da temperatura global até 2100].

Não concorda, portanto, que os EUA se comprometam a reduzir as suas emissões em apenas 17 por cento até 2020, em relação a 2005?
A UE já abriu a porta para uma interpretação do que significam “esforços comparáveis”. Não são esforços iguais, são esforços comparáveis. Mas isto tem de ser negociado, não pode ser algo unilateral. Numa base nacional, a maior parte dos países nunca faria muito. Multilateralmente, o envolvimento é por um objectivo comum. Foi o que fizemos na UE e agora temos de o fazer globalmente. Os EUA têm de se comprometer com mais do que aquilo que fariam ao nível puramente nacional. O mesmo vale para a China, a Índia e os outros. Unilateralmente, eles fariam o business as usual. Mas não temos tempo para isso. A primeira opção é seguir as necessidades de protecção climática.

Qual é a sua expectativa em relação à cimeira de Copenhaga?
Precisamos de esforços comparáveis dos países industrializados. Temos de estar no limite superior dos 25 a 40 por cento de redução de emissões que os cientistas dizem que é necessário. Não estamos de modo nenhum perto desse objectivo. Mas esta ambição é possível. Se a UE oferecer 30 por cento de redução, seria uma vergonha para os EUA, para o Canadá ficarem nos cinco ou seis por cento – porque nós comparamos com 1990 e eles começam em 2005. Os EUA têm de assumir mais ambição e para os países emergentes, por exemplo, Brasil, Índia, China, México, fixámos uma meta: 15 a 30 por de redução em relação ao cenário expectável de emissões.

Tem sido dito que Copenhaga pode chegar a um acordo político, mas um novo tratado juridicamente vinculativo seria alcançado apenas em 2010.
Se tivermos um processo em duas fases, o primeiro passo tem de ser sólido, tem de ser a base com os fundamentos, os critérios para o que depois seria um texto legal mais elaborado. Os princípios devem ser fechados em Copenhaga e os detalhes no México [próxima cimeira do clima] ou Bona [possível conferência intermédia]. Creio que o México seria muito tarde, no final de 2010. A posição da Europa seria a de concluir antes do Verão de 2010.

E considera possível conseguir este passo firme em Copenhaga?
É a nossa expectativa, o nosso envolvimento e a nossa ambição. Temos de convencer os outros países, o que é difícil, mas não os podemos obrigar. Estive em Washignton há três semanas e pude ver que a indústria norte-americana e comunidades locais em diferentes estados estão à frente do Governo. Eles [o Governo] ficaram para trás. Perderam oito anos com a administração Bush. Vão ter de acelerar. Mas são normalmente mais rápidos do que os europeus. Assim que Obama tiver as mãos livres da reforma da saúde, vai lançar-se na protecção climática.

O Senado norte-americano está relutante quanto a aprovar uma legislação climática. O que pensa que vai acontecer?
O preço será muito contraditório. Provavelmente, terão a legislação, mas haverá privilégios para a indústria do carvão, do nuclear, para a exploração de petróleo offshore, para mais exploração de gás natural.

Acredita que os seus colegas no Senado norte-americano mudaram de atitude desde Clinton, quando recusaram a ratificação de um tratado como o Protocolo de Quioto?
O Senado é muito relutante em assinar tratados internacionais. Este comportamento não mudou.

Que papel pode ter o Parlamento Europeu em Copenhaga?
Somos um grupo de pressão.




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