Se não combinaram parece. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, defenderam, separadamente, o apoio aos países mais vulneráveis na luta contra as alterações climáticas.
As propostas, de conteúdo semelhante, foram feitas pelos dois líderes europeus em Trindade e Tobago, na cimeira da Commonwealth, que reúne 53 países. Foi a primeira vez que um Presidente francês esteve numa cimeira da organização que reúne essencialmente antigas colónias britânicas.
Os países da Commonwealth agrupam mais de 1800 milhões de pessoas, para cima de um quarto da população mundial. Como observou a Reuters, mais de metade dos membros são pequenas ilhas directamente ameaçadas pela subida do nível das águas do mar.
Primeiro foi Brown, que, numa conferência de imprensa à margem da cimeira, apelou à criação de um fundo para auxílio aos países mais pobres na luta contra as alterações climáticas. O apoio deveria atingir os dez mil milhões de dólares (quase 6700 milhões de euros) em 2012.
O fundo abrangeria o período de 2010 a 2012 e atingiria o valor mais elevado no último ano, mas os montantes envolvidos nos dois primeiros não foram especificados. “O que estou a propor hoje é um fundo de lançamento de Copenhaga. Deverá começar em 2010 e ser de dez mil milhões de dólares em 2012”, explicou Brown, citado pela Reuters.
O líder britânico acredita que a ajuda financeira incentivará os países em desenvolvimento a agirem contra a mudança do clima. “Os países mais pobres devem compreender que os mais ricos vão ajudá-los a adaptar-se e a fazer os ajustamentos necessários nas suas economias.”
Mais tarde, na cimeira à porta fechada, Sarkozy anunciou, segundo a AFP, que a França vai propor na cimeira de Copenhaga um “compromisso financeiro para 2010, 2011 e 2012 de dez mil milhões de dólares por ano”. “Um mecanismo ambicioso deverá igualmente ser adoptado para assegurar os financiamentos necessários aos países em desenvolvimento após 2012”, acrescentou.
Brown manifestou-se convencido de que a União Europeia e os Estados Unidos estarão disponíveis para contribuir para o fundo. O Reino Unido, segundo informações oficiais, estaria disposto, ao longo dos próximos três anos, a contribuir com cerca de 880 milhões de euros. Já a França, segundo a AFP, seria mais generosa e avançaria com cinco a sete mil milhões de euros no mesmo período.
Nos termos da proposta britânica, metade do apoio seria para os países mais pobres se adaptarem às alterações climáticas, apoiando, por exemplo, defesas contra o avanço do mar e as cheias. A outra metade iria para países com problemas de desflorestação e que apostam em energias alternativas. Os montantes do apoio estariam dependentes dos resultados.
A União Europeia já admitiu um cenário de financiamento, mas não assumiu compromissos concretos. As necessidades de apoio aos países em desenvolvimento foram calculadas pelos europeus em cem mil milhões de euros por ano entre 2013 e 2020.
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