Sinais dados nos últimos dias pela China, Estados Unidos e União Europeia elevaram as expectativas sobre um acordo político na próxima conferência climática da ONU, em Copenhaga, em Dezembro.
A China anunciou ontem que se compromete a reduzir em 40 a 45 por cento, até 2020, a sua intensidade carbónica - ou seja, as emissões de dióxido de carbono por unidade de riqueza produzida. Além disso, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, irá juntar-se a outros líderes mundiais nos dias decisivos da cimeira de Copenhaga, que decorre de 7 a 18 de Dezembro.
Na quarta-feira, os Estados Unidos também tinham anunciado que Barack Obama iria a Copenhaga, mas no princípio da conferência. A administração Obama também pôs sobre a mesa números concretos de redução das suas emissões: 17 por cento até 2020, 30 por cento em 2025 e 42 por cento em 2030, em relação a 2005. Se comparada com 1990, a redução é de três a 34 por cento.
Apesar de modesta, a atitude da China e dos Estados Unidos é vista como um bom sinal nas negociações de um novo tratado para substituir o Protocolo de Quioto. "Esperamos que as propostas chinesas e norte-americanas representem os primeiros passos antes de reduções mais ambiciosas", afirmou o líder da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o presidente em exercício da UE, o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, num comunicado conjunto.
A UE já tinha manifestado, esta semana, que estaria disposta a aceitar uma meta menor para os EUA até 2020, seguida de uma redução bastante mais acentuada nos anos a seguir. Bruxelas não clarificou ontem se está satisfeita, mas os dois líderes europeus afirmam que a proposta norte-americana contém "um certo número de elementos positivos".
Para Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, os anúncios dos EUA e da China "podem abrir duas das últimas portas para um acordo abrangente" em Copenhaga. Mas Yvo de Boer diz que ainda falta definição das nações desenvolvidas quanto ao financiamento dos países mais pobres para se adaptarem a um mundo mais quente.
Mesmo os compromissos anunciados poderão ainda ser insuficientes para um acordo. A China não quer, por exemplo, transformar as suas promessas em metas obrigatórias, considerando-as voluntárias. Mas os países desenvolvidos exigem das economias emergentes esforços mensuráveis e verificáveis. Por seu lado, os países em desenvolvimento querem que as nações ricas reduzam mais as suas emissões, entre 25 a 40 por cento em relação a 1990.
"Até agora, não vimos acções concretas e compromissos substantivos dos países desenvolvidos", disse Xie Zhenhua, vice-director do organismo nacional chinês responsável pelo planeamento, numa conferência de imprensa em Pequim.
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