O aquecimento do planeta está a ser maior do que o previsto e poderá ser de sete graus em 2100, afirmam 26 reputados especialistas do clima, que sublinham a necessidade de acções rápidas e eficazes.
“A temperatura média do planeta deverá aumentar entre dois e sete graus em 2100 em relação ao período pré-industrial”, referem os autores do documento “The Copenhagen Diagnosis”, publicado pelo Instituto de investigação sobre o clima de Potsdam, Alemanha.
O trabalho é uma síntese dos estudos científicos sobre alterações climáticas apresentados desde 2007, quando foi divulgado o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), que reúne milhares de especialistas na área, sob a égide da ONU, para coligir o que de mais actual se sabe sobre o aquecimento global e informar os decisores políticos. O próximo relatório só deverá estar pronto em 2013.
O aumento em 40 por cento das emissões de dióxido de carbono (CO2) entre 1990 e 2008 torna mais difícil atingir o objectivo fixado em Julho por dirigentes de países desenvolvidos e emergentes de limitarem a dois graus o aquecimento global, referem os autores.
“Cada ano de atraso aumenta as possibilidades de o aquecimento ultrapassar os dois graus”, advertem os especialistas.
Hans Joachim Schellnhuber, director do instituto e de membro do IPCC, diz que o relatório é “um último apelo dos cientistas” aos negociadores de 192 países que, de 7 a 18 de Novembro, se reúnem em Copenhaga para tomar decisões para combater as alterações climáticas - e negociar um tratado que substitua o de Quioto, para limitar as emissões de CO2, pois este caduca em 2012. “Devem conhecer a verdade sobre o aquecimento global e os riscos sem precedentes que ele implica”, destacou.
O documento sublinha que, no último quarto de século, as temperaturas médias aumentaram 0,19 graus por década, o que corresponde ao que se calcula que são os efeitos das emissões de gases com efeito de estufa.
Entre as novas provas de que o aquecimento global está a ter efeitos sobre o planeta, o relatório refere a perda de massa dos icebergues, que contribui para o aumento do nível médio das águas do mar – as águas subiram mais de cinco centímetros nos últimos 15 anos, mais 80 por cento do previsto nas projecções de 2001 do IPCC.
O relatório conclui que, para que haja uma “hipótese razoável de evitar os piores impactos das alterações climáticas”, as emissões devem “baixar rapidamente nos próximos cinco a dez anos”.
Notícia corrigida dia 25 às 13h04
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