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Alentejo pode estar a caminho da pior seca de sempre

Carlos Dias, 19 de Novembro de 2009

A quase ausência de chuva já afecta a pecuária, as sementeiras, os pastos e até a produção de azeitona
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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A pior seca de que há memória no Alentejo ocorreu em 2005, mas se a natureza não ajudar, esse cenário pode repetir-se em 2010. O Outono e o Inverno são fundamentais para repor os níveis de água na região, mas em Outubro e Novembro praticamente não choveu no Alentejo.

A gravidade da situação pode ser ilustrada através do nível médio de precipitação da região. Entre 1971-2000, a média anual foi de 571 milímetros. Até ao fim de Outubro deste ano, o acumulado ronda os 160 mm, o que corresponde a apenas 28 por cento da média entre 1971 e 2000.

Habitualmente, os meses de Outono e Inverno são responsáveis por 60 por cento da precipitação anual no Alentejo. Se 2009 respeitasse a média de 1971-2000, isso corresponderia a cerca de 342 mm de chuva. Acontece que em Setembro de 2009 a pluviosidade chegou apenas aos 32 mm e Outubro foi ainda mais seco - apenas três milímetros, menos que em Agosto.

Luís Peres de Sousa, professor da Escola Superior Agrária de Beja e também ele agricultor, salienta, por isso, que o nível de precipitação deste Outono está muito longe do que seria necessário para esta altura. "Este ano praticamente não choveu. Algumas culturas ainda tiveram sorte, mas os lençóis freáticos encontram-se numa situação muito difícil", diz. O sistema de rega de Alqueva não vai chegar a tempo de fornecer água aos locais onde os níveis são equivalentes aos que seriam habituais no Verão.

Por essa razão, adensa-se o receio de que se esteja a repetir o cenário dramático da seca de 2005. Nesse ano morreram, por falta de água e de alimento, dezenas de milhares de cabeças de gado e a região deixou de produzir o que quer que fosse.

Situação gravíssima

O pior cenário é o dos agricultores do Baixo Alentejo, sobretudo os da margem esquerda do Guadiana. O presidente da Associação de Agricultores de Serpa, Sebastião Rodrigues, alerta para "uma situação gravíssima". A maioria dos agricultores recusa-se a semear, dada a falta de garantias de que terão água. E os que fizeram culturas "estão com o credo na boca". Quem lançou semente para pastagens "já meteu o gado em cima" para não ter que o alimentar à mão, uma situação anómala que se reflecte na criação de borregos.

"Até a produção de azeitona está a ser afectada", prossegue, frisando que os olivais da margem esquerda do Guadiana apresentam um fruto com muito caroço e pouca massa para a produção de azeite. Aquele dirigente associativo espera sensibilizar o Governo para a dimensão do "desastre" que pode vir acontecer no próximo Verão, se "a máquina burocrática do Ministério da Agricultura não antecipar meios para intervir". É que desde 2005 "nada foi feito para evitar a repetição do flagelo" que, há quatro anos, destruiu explorações agrícolas e acelerou ainda mais a desertificação dos campos alentejanos.

O agricultor alemão Dietmar Ochsenreiker dirige uma herdade na estrada que liga Serpa a Mértola, em Vale de Açor de Cima. A continuar assim," o ano agrícola está perdido", afirma. E, mesmo que chova, "os novos pastos só estarão disponíveis para Abril".

O PÚBLICO tentou obter uma reacção do Ministério da Agricultura, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.



12 - 
petervd
, viana do castelo - 21-11-2009 00:00:37

não tem chovido em novembro???
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11 - 
Rui Duarte
, Allgarve - 19-11-2009 14:38:42

Toda a gente sabe que o clima em Portugal caracteriza-se por ser irregular. Agora, comparar a situação actual com a seca de 2005 é a mesma coisa que comparar " o cú com a feira de Castro" (como se diz na Alentejo). Neste momento a humidade do ar ronda os 70% para cerca de 19ºC de temperatura. Quer isto dizer que está muito próximo do ponto de saturação. Os pastos estão a desenvolver normalmente para a época. A "safra" da azeitona está em mais um ano excepcional, o azeite este ano rende mais que o ano passado. Vão ficar, mais uma vez, milhares de toneladas de azeitonas por apanhar por não haver quem queira picar os dedos nos cardos, é mais fácil de colher na prateleira do supermercado. Por seca entende-se quando a humidade do ar fica dias a fio abaixo dos 50% disidratando tudo à sua volta e provocando perigo de incêndio. A natureza encarrega-se de castigar os homens que lhe viram as costas.
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10 - 
Iolanda Salas
, Matosinhos - 19-11-2009 14:14:15

Desertos são os cérebros que nos conduzem!!!! porque com tanta mão de obra disponível e paga ,pelos fundos das formações , dos desempregados ,do rendimento mínimo ,dos reformados antecipadamente , das forças militares (que todos sabemos tem grande formação técnica), etc, bastava mandarem executar +-"águadutos"para fazer a transfega da água que graças a DEUS tem caído este ano no resto de "Portugal" para a nossa região do "Alentejo" creio que ficariam com água, e ,o restante país dava-se ao luxo de fazer reservas.Isto sim é que são projectos públicos inadiáveis!!!!
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9 - 
TrolhaDesempregado
, Lisboa - 19-11-2009 11:42:25

Afinal o Mario Lino tinha razão... a margem sul é mesmo um deserto!
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8 - 
José Manuel Braz
, Figueira da Foz - 19-11-2009 11:26:31

Segundo o documentário produzido por Al Gore e divulgado em DVD que esteve á venda há cerca de dois anos, é previsto que dentro de pouco tempo a Península Ibérica sofra uma alteração substancial climática que irá evoluindo gradualmente de ano para ano até atingir grandes secas e um aquecimento alterando desta forma quase por completo o clima desta parte do mundo. Já é notório o aquecimento e a falta de chuva na Península Ibérica, os invernos não são rigorosos como foram há alguns anos atrás e qualquer dia estamos aqui em Portugal com um clima igual ao dos países do norte de África ou pior.
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7 - 
alguém
, Lisboa - 19-11-2009 10:56:11

Tenho respeito por toda a gente, mas acho que há muita gente a tentar viver à custa dos Alentejanos!.....e a viver à nossa conta e dos subsídios!!!... que deveriam acabar!.... Quando não chove.... lá metem os Alentejanos a reclamar que querem um subsídio, porque não chove.... Quando chove, lá os colocam, de novo, à frente das câmaras de televisão e dos fotógrafos a reclamar porque choveu muito e não poderam cultivar!!! E..... o que é que se cultiva??? Já lá vai o tempo do "fascimo" em que éramos um dos maiores produtores de trigo do mundo!.... Mas isso era do tempo da outra senhora e não havia subsídios para a agricultura( para se comprar andares, jipes, mercedes), nem subsídos de reincersão social!!!! Mas é o país que temos!..... Os Alentejanos deveriam abrir os olhos e não ligar e muitos que os colocam como "forcados de cabeça"
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6 - 
José Parreira
, Beja - 19-11-2009 10:40:54

Ora Investiguem por favor... (...) No Alentejo! (...) (...) (...) Obrigado! Como diz Sepp Hollzer....Esta "crise" é muito uma crise de imaginação! Abraço José Parreira zparreira@gmail.com (...)
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5 - 
A. Lopes
, Dafundo - 19-11-2009 10:02:07

Eis um título a puxar ao sensacionalismo. Se dizem que a pior seca foi em 2005 e que este ano pode repetir-se o desastre de então, isso quer dizer que poderá ocorrer a maior seca dos últimos quatro anos. Apenas isso.
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4 - 
nibiru
, portugal - 19-11-2009 09:46:33

Este ano mesmo a natureza já vai começar a tratar de afundar uns quantos países... Vai ser a Holanda,França,Espanha,Alemanha;Inglaterra e a costa da maioria dos países mundiais! Bem vindos ao inicio do fim!
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3 - 
José G.Cravinho
, Holanda - 19-11-2009 09:36:36

Como a barragem do Alqueva não permite alqueivar as terras no lado português(pois do lado espanhol,pelos vistos, alqueiva-se)e como não há iniciativa de construir cisternas públicas ou privadas para captar e armazenar água da chuva no inverno,e como não há iniciativa de extrair água potável,da água do Mar,só resta a êste Povo crente em Deus e na Senhora de Fátima,organizar Procissões públicas a rogar a Deus,à Senhora de Fátima ou a São Pedro, que,por misericórdia,envie alguma chuva.
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