O carvão será um dos acusados na cimeira climática de Copenhaga, em Dezembro. Mas no coração da América mineira, poucos são os que estão prontos a sacrificar-se em nome da luta contra as alterações climáticas.
Nas colinas da Virgínia ocidental, o carvão é um modo de vida. Os habitantes do vale do Ohio, no sudoeste daquele estado, ganham a vida a explorar o carvão, sobre o qual assenta a economia local.
O carvão é um bom mercado, abundante e cada vez mais procurado. Mas também é, de longe, a energia mais poluente, responsável por 41 por cento das emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo. Segundo a Agência americana de Protecção do Ambiente (EPA, sigla em inglês), o carvão produz 50 por cento mais de CO2 que o petróleo e duas vezes mais que o gás natural utilizado na produção de electricidade.
As emissões de CO2 do carvão deverão triplicar no mundo entre 2000 e 2050, prevê um estudo publicado em 2007 pelo Massachusetts Institute of Technology. Só a China deverá construir o equivalente a duas centrais a carvão por semana, durante esse período.
Mas nos Estados Unidos, onde metade da produção de electricidade tem origem no carvão, o consumo também está a aumentar e com ele os obstáculos políticos a um acordo sobre a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Os representantes da Virgínia ocidental em Washington nem querem ouvir falar de impostos sobre as emissões poluentes ou de um sistema de comércio de emissões.
Mas os negociadores de Copenhaga podem apoiar-se num segmento da indústria da Virgínia que vê na protecção do Ambiente uma possibilidade de obter receitas. Em Ohio, o grupo francês Alstom instalou a maior instalação mundial de captura de dióxido de carbono. Esta, que entrou em serviço a 1 de Setembro, foi concebida para capturar cem mil toneladas de CO2 por ano, à saída das chaminés de uma central a carvão. O CO2 será depois enterrado a 2100 metros de profundidade.
No entanto, nem todos estão convencidos com as virtudes desta tecnologia. Os ecologistas acusam-na de prejudicar a saúde dos habitantes das proximidades. E os cientistas duvidam das soluções e dos seus custos.
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados. Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.
MAIS NOTÍCIAS