Um conselho de ministros subaquático. Podia até ser brincadeira, se a reunião não fosse nas Maldivas, um dos países mais ameaçados pela subida do nível do mar e uma das vozes mais activas na campanha para uma acção global no combate às alterações climáticas.
Durante meia hora, o Presidente e os ministros substituíram o fato e gravata por equipamento de mergulho e, a cinco metros de profundidade, assinaram uma declaração pedindo para que sejam definidas metas ambiciosas na redução dos gases com efeito de estufa.
A decisão será tomada na distante e fria Copenhaga, que em Dezembro acolhe a Cimeira do Clima – uma oportunidade que as Maldivas não querem ver desperdiçada. Se não houver um consenso mundial “vamos todos morrer”, explicou o Presidente Mohamed Nasheed, numa conferência de imprensa já à tona da água. “E se as Maldivas não puderem ser salvas não creio que haja muito mais hipóteses para o resto do mundo”, acrescentou.
As Maldivas, um arquipélago composto por mais de mil ilhas, está a uma média de apenas dois metros acima do nível do mar e, em várias ilhas, a água salgada invade já terrenos que até há poucos anos permaneciam férteis.
Dos 14 ministros só três não participaram na reunião “extraordinária”, dois deles por razões médicas. Com equipamento completo e na companhia de instrutores de mergulho e seguranças, os governantes desceram até ao fundo da idílica lagoa que, por uma manhã, foi palco da primeira reunião política subaquática de que há memória.
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