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China foi a estrela de uma conferência climática que não convenceu todos

Helena Geraldes, 22 de Setembro de 2009

O Presidente Hu Jintao anunciou que aceita reduzir “consideravelmente” o aumento das emissões de dióxido de carbono
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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A China apresentou hoje em Nova Iorque um pacote de medidas climáticas concretas, incluindo o seu primeiro compromisso com a redução das suas emissões de gases com efeito de estufa até 2020. O Presidente Hu Jintao fez a revelação numa conferência de cem chefes de Estado e Governo realizada para dar novo ânimo às negociações climáticas, perto do bloqueio, mas que não convenceu todos.

O mundo tem onze semanas para fazer o trabalho de casa e chegar à cimeira de Copenhaga (7 a 18 de Dezembro) em condições de aprovar o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012. Mas as divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento continuam a impedir o avanço das negociações. Hoje, era o momento certo para acelerar, ainda que não fosse o palco certo para negociar.

O Presidente chinês Hu Jintao trouxe esperança ao anunciar que aceita reduzir “consideravelmente” o aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2020, comparativamente a 2005. O dirigente explicou que vai reduzir a quantidade de gases com efeito de estufa (GEE) produzidos por cada dólar do seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2020.

A estratégia climática da China, o maior poluidor do mundo, inclui ainda o desenvolvimento, “de forma vigorosa, das energias renováveis e energia nuclear”. “Vamos aumentar em 15 por cento a parte das energias não-fósseis no consumo do país até 2020”, acrescentou Hu Jintao. O Presidente chinês referiu ainda o aumento da capacidade de absorção do CO2 da atmosfera através da expansão das florestas em 40 milhões de hectares até 2020, comparativamente a 2005. “Vamos acelerar os nossos esforços para desenvolver uma economia verde, uma economia de baixo carbono, a aceleração da investigação e disseminação das tecnologias verdes”, resumiu.

O secretário de Estado do Ambiente português, que participa nos trabalhos juntamente com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, disse ao PÚBLICO que a China fez “anúncios muito importantes e construtivos”, introduzindo, pela primeira vez, uma quantificação das propostas quanto à energia e às florestas. Hu Jintao não se comprometeu com metas para a redução de emissões. Humberto Rosa lembrou que aos países em desenvolvimento só é pedido que apresentem medidas que os “desviem do cenário business as usual”.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU para as alterações climáticas, acredita que a China poderá “tornar-se num dos líderes desta luta contra as alterações climáticas”, disse à Associated Press. “Agora, o grande ponto de interrogação é Washington”.

Obama faz discurso sem novidades
A outra figura do dia era Barack Obama, que repetiu a sua determinação em combater o aquecimento global e o apelo aos países em desenvolvimento para fazerem o seu papel. Os Estados Unidos “compreendem a gravidade da ameaça climática. Estão determinados a agir e honrarão as suas responsabilidades para com as gerações futuras”, ameaçadas por “uma catástrofe irreversível” se a comunidade internacional não agir “de forma audaciosa, rápida e conjunta”.

No entanto, Obama não falou de esforços suplementares da parte do seu país nem apresentou novas propostas que entusiasmassem os seus homólogos. De momento, os Estados Unidos estão concentrados na aprovação da reforma do sistema de saúde e a legislação climática poderá mesmo ser adiada para 2010.

Esta falta de ambição norte-americana começa a deixar frustrados os líderes da União Europeia. “Até agora, pensávamos que o maior problema era com os chineses e indianos. Mas agora penso que o problema assenta, claramente, nos Estados Unidos”, contou ontem um responsável da Comissão Europeia ao jornal “Financial Times”.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU que alerta para a lentidão das negociações, alertou na abertura da conferência, que um fracasso em Copenhaga será “moralmente indesculpável, pouco sensato economicamente e politicamente desaconselhável”.

Humberto Rosa diz agora estar mais optimista. “Podemos dizer que já existem os ingredientes para o sucesso de Copenhaga”. Resta agora acompanhar o caminho negocial e esperar pela inspiração dos “cozinheiros”.



5 - 
c
, Lx - 24-09-2009 04:25:03

que tal estabelecer critérios objectivos de delimitação para a emissão de gases poluentes? Nomeadamente, de acordo com a dimensão geografica de cada pais?
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4 - 
Devia acontecer amanhã...
, Planeta Terra - 23-09-2009 14:39:11

O maior problema da mudança climática é a sua lentidão. Infelizmente, serão as gerações futuras que vão pagar os erros e excessos do passado! O ser humano é o único animal dito racional. Conseguimos fazer previsões e estudos. Sabemos que as coisas estão em mudança e que as consequências vão ser desastrosas. Contudo, a nossa "inteligência" não consegue abater o nosso egoísmo como ser individual! Quem está disposto a deixar hoje de andar de carro para não poluir? Quem está disposto a cortar no consumo de bens dispensáveis que são produzidos por unidades industriais ávidas de energia produzida a partir de combustíveis fósseis! Se amanhã acordássemos e estivessem 70ºc à sombra, talvez aí nos lembrássemos de que tínhamos que fazer algo. Mas como no presente, as condições de vida são tão agradáveis, ninguém se lembra sequer da ideia de catástrofe. EUA e China apenas provaram que o capital de uns poucos está acima de tudo: pessoas, clima, natureza, etc... o importante é não parar de fazer dinheiro! As gerações futuras certamente terão muitos desertos estéreis e quentes onde o gastar!
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3 - 
JB
, moscovia - 23-09-2009 09:12:15

E claro que isto e extremamente embaracoso para os USA; ate aqui podiam argumentar com a China, agora vamos ver quais as suas reais intencoes...
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2 - 
Luis
, Portalegre - 23-09-2009 02:17:12

Os EUA é que foi convincente com o seu discurso sobre as armas de destruição massiva do Iraque
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1 - 
Sman
, VR - 22-09-2009 23:22:10

Os EUA, ainda se arriscam a ser ostracizados em Copenhaga!?
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