As negociações sobre o combate mundial às alterações climáticas têm de avançar mais rapidamente, advertiu hoje em Bona Yvo de Boer, o mais alto responsável da ONU pelo clima, no final da uma semana de negociações preparatórias da conferência de Copenhaga, em Dezembro.
Durante cinco dias em Bona (de 10 a 14 de Agosto), os delegados de 180 países tentaram chegar a acordo sobre uma versão mais reduzida de um ante-projecto de texto com 200 páginas, que será apresentado em Copenhaga como sucessor do Protocolo de Quioto. Este expira em 2012.
“Foram conseguidos alguns progressos pontuais”, informou em conferência de imprensa o secretário-executivo da Convenção da ONU para as Alterações Climáticas. Mas “não vamos conseguir se continuarmos a este ritmo”, advertiu. “O ritmo das negociações deve acelerar muito durante a próxima sessão [de negociações] em Banguecoque”, em Setembro, preveniu Yvo de Boer, lembrando que faltam apenas um total de 15 dias de negociações antes de Copenhaga.
Antes de Dezembro estão previstas duas outras reuniões preparatórias: em Banguecoque (de 28 de Setembro a 9 de Outubro) e em Barcelona (de 2 a 6 de Novembro).
Jonathan Pershing, responsável pela delegação norte-americana, está optimista. “Claro que vamos conseguir”, disse. Mas a sua opinião não é partilhada por Yu Qingtai, embaixador climático chinês. “Continuamos com os mesmos problemas que tínhamos”, lembrou, referindo que para a China a prioridade é o combate à pobreza.
Muitos delegados acreditam que um encontro de líderes mundiais na sede da ONU, em Nova Iorque, e um encontro do G20 em Pittsburgh, ambos em Setembro, podem ajudar a desbloquear a situação, nomeadamente da ajuda aos países mais pobres para enfrentar os impactos das alterações climáticas.
A União Europeia não está satisfeita com aquilo que os países desenvolvidos disseram estar dispostos a reduzir, em termos de emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Esta semana, os países industrializados comprometeram-se com reduções de 15 a 21 por cento até 2020, a níveis de 1990. Mas isso é “insuficiente” para manter o aumento da temperatura nos 2ºC, considera Anders Turesson, o principal negociador da Suécia, país que assegura a presidência da União Europeia. As reduções de 15-21 por cento “levar-nos-iam a um aumento de três por cento”. A comunidade científica pede uma redução de 25 a 40 por cento.
A União Europeia prometeu reduções de 20 por cento ou 30 por cento se as outras nações ricas adoptassem cortes semelhantes. Turesson também disse que os países em desenvolvimento têm de “mostrar maior compromisso”.
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