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G8: Temperatura do planeta não pode subir mais do que 2ºC

Helena Geraldes, 9 de Julho de 2009

O MEF esteve reunido em L'Aquila
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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As 17 potências reunidas hoje à tarde em L’Aquila, Itália, no Fórum das Grandes Economias (MEF) aceitaram limitar o aumento da temperatura média global do planeta a 2ºC e recusaram comprometer-se com percentagens concretas na redução das emissões. Na declaração final ficou para a posteridade que estes países se comprometem a “identificar uma meta global para reduzir substancialmente as emissões até 2050”.

Os países responsáveis por 80 por cento das emissões poluentes do planeta – Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos – declararam que “as alterações climáticas são um dos maiores desafios da nossa era”, ao qual vão “responder vigorosamente”, “sem poupar esforços para conseguir um acordo em Copenhaga”, a conferência da ONU, em Dezembro, de onde deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto.

Na declaração final é defendida a redução das emissões da desflorestação, a necessidade de ajudar os países mais pobres a adaptarem-se aos efeitos das alterações climáticas, já em curso, e de duplicar os investimentos até 2015 na investigação de tecnologias de “descarbonização” e amigas do clima – como a eficiência energética, energia solar, melhoria das redes de distribuição, captura e armazenamento de carbono, veículos mais sustentáveis, centrais a carvão mais limpas. O financiamento terá de vir de diferentes fontes, incluindo fundos públicos e privados e mercados de carbono.

Assim, os compromissos esperados foram oficializados e os desejáveis acabaram adiados. O que é certo é que a reunião, marcada pela ausência do Presidente chinês Hu Jintao, não trouxe novidades de monta para o clima e ao fim de várias horas de negociações, as economias emergentes não saíram convencidos da necessidade de metas de redução. Nem mesmo depois de o G8 anteontem à noite se ter comprometido com uma redução de 80 por cento das emissões até 2050.

Um “bom sinal” a caminho de Copenhaga

Compreender o significado de L’Aquila não é um dado adquirido. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu hoje que o esforço do G8 é insuficiente e levantaram-se vozes que lamentaram adopção de metas para 2050, em detrimento de 2020.

Nas suas primeiras palavras depois da reunião, o Presidente norte-americano Barack Obama, que presidiu aos trabalhos, considerou que o MEF teve um bom começo. Pela primeira vez, o limiar dos 2ºC, proposto pela União Europeia, ficou oficializado. Esta é uma evolução em relação a 2005. “Nessa altura, o debate ainda se centrava na adopção, ou não, dos 2ºC como referência. Hoje é ponto assente, muito graças ao esforço da comunidade científica europeia”, comentou ao PÚBLICO Viriato Soromenho-Marques, responsável pelo Programa Gulbenkian Ambiente.

Estas são “boas notícias” para o secretário de Estado português do Ambiente. Humberto Rosa considera que foi dado “um passo em frente muito significativo, com um efeito de arrastamento”. Quando confrontado com o a ausência de percentagens no capítulo da redução de emissões, Humberto Rosa lembrou: “Não podemos esperar do G8 um acordo de Copenhaga. O momento certo será em Copenhaga”. Soromenho-Marques junta-se ao referir que “ninguém pode esperar que a China e a Índia aceitem reduzir as emissões até 2020. Esperamos é que o aumento das emissões dos países em desenvolvimento não seja muito superior em relação à redução conseguida pelos países desenvolvidos”.

Até Dezembro faltam cerca de cinco meses. “Hoje sou um optimista moderado. Mas sei que entre o que foi acordado genericamente e o compromisso real vai um longo caminho”, disse Francisco Ferreira, da Quercus.




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