Os países do G8 concordaram esta quarta-feira numa redução em 80 por cento das suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2050 e defendem para os países emergentes uma redução de 50 por cento no mesmo período. Um conselheiro do Presidente russo Dimitri Medveded tinha considerado "inaceitável" uma redução de 80 por cento, mas as primeiras informações referem que este país também deu o seu acordo.
No entanto, ainda não há qualquer indicação sobre como as metas e os custos serão cumpridos. Nem tão pouco sobre qual o ano base para a redução de 80 por cento: pode ser “1990 ou com anos mais recentes”, dizem os líderes do G8.
Para surpresa geral, a Rússia atacou esta meta. "Para nós, os 80 por cento são inaceitáveis e, provavelmente, impossíveis de cumprir", comentou ontem aos jornalistas Arkady Dvorkovitch, o conselheiro principal para a economia do Presidente Medvedev. "Não vamos sacrificar o crescimento económico com o único fim de reduzir as emissões".
Outro insatisfeito foi o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ainda que por outras razões. Este lamentou a ausência de objectivos de redução das emissões até 2020 na declaração do G8 mas garantiu que não vai abandonar essa ideia. "Defendemos que o G8 deveria ter adoptado um objectivo intermédio, como a Europa", declarou Sarkozy numa conferência de imprensa. "Mas não vou abandonar este pedido".
No entanto, considerou que o G8 conseguiu um "progresso espectacular". "Não o conseguimos em Heiligendamm (na Alemanha, em 2007), não o conseguimos no Japão (em 2008): conseguimo-lo desta vez".
A oposição da China e da Índia relativamente às metas de redução impedirá, no entanto, salvo acordo de última hora, que a decisão seja ratificada hoje pelo fórum das principais economias do mundo, que reúne o G8 e as economias emergentes também em L’Aquila, Itália.
Os líderes do G8 aceitaram ainda a meta dos 2ºC até 2050, proposta avançada pela União Europeia, especialmente pela Alemanha, Reino Unido, França e Itália. Isto significa que o mundo terá de limitar o aumento da temperatura média global aos 2ºC. Exceder esse limite é considerado perigoso.
A União Europeia estima que limitar a temperatura a este aumento, em relação aos níveis pré-industriais, custará cerca de 2,5 por cento do Produto Interno Bruto mundial em 2050.
Esta foi a primeira vez que o Estados Unidos, Japão, Rússia e Canadá reconheceram a fasquia dos 2ºC, depois de anos de desconfiança. Para José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, este foi um passo muito importante porque abre a porta ao sucesso da conferência de Copenhaga, em Dezembro. Daqui deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, documento assinado em 1997 naquela cidade japonesa e que expira em 2012.
O G8 representa 13 por cento da população do planeta e 40 por cento das emissões mundiais, sendo os seus países considerados os maiores “poluidores históricos”.
Esta quinta-feira, o MEF (Fórum das Grandes Economias) deverá adoptar os 2ºC como valor de referência, num encontro presidido por Barack Obama. Será o momento para atestar qual o nível de acordo que será possível alcançar com a China e com a Índia. No entanto, a ausência do Presidente chinês poderá dificultar as negociações.
Notícia actualizada às 09h20 de 9 de Julho
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