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Obama recusa meta climática global dos 2ºC

Helena Geraldes, 23 de Junho de 2009

É pouco claro até que ponto irá Obama defender este documento
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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A política climática de Barack Obama começa a aparentar ter pés de barro. Na cimeira do G8 de Julho, em Itália, Washington deverá opor-se à meta dos 2ºC defendida pela União Europeia e países em desenvolvimento. Ou seja, um aumento maior das temperaturas implicaria um grande perigo para o planeta. Mas não só. A proposta de lei climática que os democratas vão apresentar a debate esta sexta-feira em plenário da Câmara dos Representantes é apontada como demasiado fraca.

Os Estados Unidos parecem não estar muito convencidos de que um aumento de 2ºC seja um limite, para lá do qual há mais ondas de calor, secas e aumento do nível dos mares. Washington tem resistido a reconhecer essa fronteira e no esboço da cimeira do G8 de Julho, datado de 11 de Maio e ao qual a agência Reuters teve acesso, oficializa a posição.

O documento reafirma a necessidade de se chegar a acordo sobre o sucessor do Protocolo de Quioto na conferência de Copenhaga, em Dezembro. Mas evidencia o desacordo relativamente à secção que iria alargar ao G8 a meta europeia dos 2ºC acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial. Hoje, o mundo já conta com um aumento de 0,7ºC. Em vez disso reconhece que as emissões globais precisam de chegar a um pico em 2020 e uma redução de 50 por cento em 2050.

O que é certo é que o Presidente Barack Obama se comprometeu a ir mais longe para travar o aquecimento global, propondo-se mesmo a colocar os Estados Unidos na liderança das negociações climáticas internacionais.

Mas para isso será crucial chegar a Copenhaga em Dezembro com uma forte legislação já aprovada que ateste o seu grau de compromisso. Eram muitos os receios de que tal não fosse acontecer a tempo. Mas esta sexta-feira, a proposta de lei americana – conhecida por Waxman-Markey – será debatida em plenário na Câmara dos Representantes. O documento, com 1201 páginas, saiu de vários meses de negociações enfraquecido e sem garantias de obter os votos necessários para passar ao Senado.

Os democratas Henry Waxman (senador da Califórnia) e Ed Markey (Massachusett) apresentaram uma primeira versão do documento a 31 de Março e as negociações com os vários Comités da Câmara dos Representantes começaram no início de Maio. Assim, a versão da lei Waxman-Markey – ou Lei americana sobre Energia Limpa e Segurança 2009 - apresentada a 15 de Maio sofreu alterações que muitos interpretaram como um enfraquecimento.

De acordo com a proposta, esta legislação pretende criar postos de trabalho no sector das energias limpas, conseguir a independência energética, reduzir a poluição responsável pelo aquecimento global e uma transição para uma economia assente em energias “limpas”. O documento, que conta com a oposição dos Republicanos, defende uma redução de 17 por cento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2020 e de 83 por cento até 2050, em relação aos níveis de 2005.

Na verdade, vários democratas já avisaram que vão votar contra uma proposta de lei que não tem sucesso garantido no Senado.

Além disso também é pouco claro até que ponto irá o Presidente Obama defender este documento, especialmente numa altura em que a atenção da opinião pública está mais concentrada nas questões de saúde pública.

Ontem, um grupo de 20 cientistas climáticos norte-americanos enviou uma carta ao Congresso onde defendem a adopção da proposta de lei ainda este ano, considerando-a um "grande avanço". "Apelamos ao Presidente Obama para, desde já, exercer ao máximo uma liderança pessoal neste processo a fim de garantir que seja aprovada uma legislação o mais forte possível", escreveram.

A comunidade internacional entende que a aprovação desta legislação iria beneficiar muito as negociações para um sucessor do Protocolo de Quioto sobre alterações climáticas, que expira em 2012.

Notícia actualizada às 16h46




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