O palco onde decorrem as negociações climáticas globais tem cada vez mais actores. Depois da entrada recente do sector da aviação, agora os peritos pedem a entrada dos oceanos, que representam 71 por cento da superfície do planeta. Hoje começou na Indonésia a primeira conferência internacional dos mares, com 1500 participantes de 70 países.
A conferência - organizada pelo Governo indonésio em Manado, capital do Norte da ilha de Celebes – deverá terminar com uma declaração que apele à integração dos oceanos nas negociações para a conferência de Copenhaga, em Dezembro, de onde deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012.
“É óbvio que os nossos preciosos recursos marítimos estão cada vez mais ameaçados e que as alterações climáticas vão acelerar a sua destruição em numerosos pontos do globo”, declarou o ministro indonésio dos Assuntos Marítimos e da Pesca, Freddy Numeri, na cerimónia de abertura da conferência.
“São necessárias medidas urgentes de adaptação e de compensação para salvar, não apenas, os recursos marítimos mas também as comunidades que vivem nas zonas costeiras”, sublinhou.
Os mares e oceanos representam 71 por cento da superfície do planeta e cerca de um décimo da população mundial vive a menos de dez quilómetros de distância das suas costas. As alterações climáticas poderão transformar os oceanos, nomeadamente através da subida do nível médio das águas e da perda gradual da sua capacidade de absorção de dióxido de carbono (CO2).
A Indonésia, o maior arquipélago do mundo, poderá perder centenas das suas 17 mil ilhas, estimou recentemente o Banco asiático do desenvolvimento (ADB).
Entre os temas a debate na conferência de Manado figuram ainda a necessidade de a pesca se adaptar às alterações do clima, que já começaram a perturbar a distribuição das espécies marinhas.
À margem da conferência realiza-se, a 15 de Maio, uma cimeira do Triângulo de coral, uma região com 5,7 milhões de quilómetros quadrados de superfície partilhados por seis países (Filipinas, Malásia, Indonésia, Timor, Papuásia Nova-Guiné e ilhas Salomão), apelidada como a “Amazónia dos mares” porque concentra a maior diversidade de espécies marinhas do mundo.
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