A organização ecologista internacional Greenpeace lamentou hoje a falta de compromissos financeiros concretos, por parte dos líderes europeus reunidos no Conselho Europeu em Bruxelas, e receia que isso possa comprometer os esforços para encontrar um sucessor para o Protocolo de Quioto, já em Dezembro, em Copenhaga.
Apesar de terem acordado reunir dinheiro para os países em desenvolvimento, os líderes europeus “não puseram dinheiro em cima da mesa para suportar os seus planos”, nota a Greenpeace em comunicado enviado esta tarde ao PÚBLICO.
“A UE [União Europeia] está à espera de Godot. Com isto gastámos três meses até à próxima cimeira da UE em Junho”, lamentou Joris den Blanken, director da Greenpeace para a política energética e clima.
Blanken acredita que dificilmente os países mais pobres aceitarão juntar-se ao esforço global contra as alterações climáticas se não obtiverem um compromisso financeiro dos países mais ricos.
“Não se pode começar a negociar quem deve contribuir com o quê a menos que haja dinheiro em cima da mesa”, acrescentou.
A Greenpeace lembra que o financiamento aos países em desenvolvimento é necessário para promover energias renováveis, proteger as florestas e fazer frente aos efeitos das alterações climáticas. “Mas, até agora, os líderes europeus não mencionaram quanto estão dispostos a pagar para financiar estes planos”, alerta a organização. Esta pede aos países industrializados contribuições anuais de, pelo menos 110 mil milhões de euros, em 2020: 40 mil milhões para investimento em renováveis, 30 mil milhões para proteger as florestas e 40 mil milhões para enfrentar as consequências das alterações climáticas. Os Governos europeus deveriam contribuir com 35 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 1.30 euros por semana e por cidadão europeu.
Hoje, o primeiro-ministro polaco Donald Tusk informou que a UE pretende ajudar com uma quantia entre os “20 e os 40 mil milhões de euros”. Por seu lado, a Comissão Europeia preconiza um pacote de 30 mil milhões de euros.
A Greenpeace pediu hoje aos Governos europeus para “deixarem de gastar tempo precioso e utilizar os próximos encontros ministeriais sob a presidência checa para acordarem um plano concreto para o financiamento climático aos países em desenvolvimento”.
Além disso, a organização apela ao G20, que se reunirá em Londres em Abril, para colocar o financiamento climático no topo da agenda. Tudo porque as recomendações do G20 deverão “alimentar” as negociações climáticas da ONU.
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