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Aquecimento climático: metade da população pode viver crises alimentares no final do século

Nicolau Ferreira, 8 de Janeiro de 2009

Apesar das variações de temperatura serem maiores nas zonas temperadas, os trópicos já são muito pressionados
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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O aumento de temperatura pode deixar metade da população mundial sem comida no final do século. Antes da crise económica, antes da descida e subida do custo do petróleo, 2008 foi brindado com uma crise alimentar. Em poucas semanas o preço dos cereais subiram e milhares de pessoas ficaram sem poder de compra para adquirir alimentos. Um estudo que saiu hoje na Science online prevê que o aumento de temperatura vai ser responsável por crises semelhantes no final do século.

Segundo o estudo, a frequência de Verões muito mais quentes do que os que vivemos hoje vai diminuir a produção de cereais nos trópicos e regiões subtropicais e causar crises alimentares, isto se não se encontrar variedades agrícolas mais resistentes ao calor e novas práticas de irrigação adaptadas a cada região.

“As pressões na produção de alimentos a nível global vão ser enormes só devido à temperatura”, disse David Battisti, professor de ciências atmosféricas na Universidade de Washington e primeiro autor do artigo da Science.

Através de observações e da avaliação de 23 estudos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, os autores prevêem que em 2100 haja uma probabilidade acima dos 90 por cento de que os Verões mais amenos na região do equador e subequatorial, sejam mais quentes do que os piores Verões que se viveram durante o último século. Tendo em conta situações ocorridas no passado, este aumento de temperatura é suficiente para impedir parte da produção de culturas nestas zonas e induzir uma crise alimentar.

“Esta é uma razão que nos obriga a investir na adaptação (...), vai levar décadas até desenvolvermos novas variedades de culturas que tenham mais capacidade de aguentar um clima mais quente”, disse Rosamond Naylor, que colaborou com Battisi no estudo.

Os autores foram estudar dois exemplos no passado em que as altas temperaturas tiveram impacte na produção de alimentos. Em 2003, uma onda de calor assolou a Europa e matou 52 mil pessoas. Só na França, a temperatura média registada foi mais alta cerca de seis graus célsius, o suficiente par reduzir um terço da produção e armazenamento de cereais.

O outro exemplo dado foi em 1972 na Ucrânia, quando outra onda de calor reduziu a produção de cereais e contribuiu para a quebra dos mercados mundiais. “O que me assustou mais é que quando olhamos para exemplos históricos, vemos que existiram formas de responder ao problema nesse dado ano. As pessoas podiam sempre buscar alimentos a outras fontes”, disse Naylor. “Mas no futuro, não vai haver nenhuma fonte a que poderemos recorrer a não ser que repensemos a forma de armazenar alimentos”, acrescentou.

Três mil milhões de pessoas vivem nos trópicos e nas regiões subtropicais, espera-se que o número seja quase o dobro no final do século. Segundo os investigadores, as altas temperaturas que se prevêem para o fim do século podem reduzir a produção de milho e arroz entre os 20 e os 40 por cento e diminuir significativamente a humidade do solo – mais outro factor de pressão para a produção agrícola. Isto afectará várias zonas do globo: o Sul dos Estados Unidos, o Brasil, o Norte da Índia, o Sul da China e da Austrália, e toda a África.

“Temos que repensar os sistemas agrícolas como um todo, não só pensar em novas variedades mas também reconhecer que muitas pessoas vão desistir da agricultura, e ainda mais pessoas vão migrar para outros locais”, explicou Naylor.




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