Ainda não acendeu a lareira este Outono? O seu aquecedor continua desligado? Saiba, então, que milhões de outros europeus têm vindo a fazer o mesmo, tantos que as emissões de dióxido de carbono domésticas estão a cair em todo o continente, dizem os cientistas, confirmando a que pode ser uma das consequências mais irónicas do aquecimento global: Invernos mais quentes podem ajudar a reduzir as emissões poluentes.
Segundo dados da Agência Europeia do Ambiente (EEA), citados pelo jornal El País, o sector residencial da União Europeia emitiu menos 18 por cento de gases com efeito de estufa, entre 1990 e 2007. Há vários factores que podem explicar esta redução – melhor isolamento térmico ou menor uso de combustíveis poluentes, como o carvão –, mas sabe-se também que ela não teria sido possível sem que tivesse ocorrido uma subida média das temperaturas.
A agência recorda dados do Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE, segundo os quais estão a diminuir os dias em que há necessidade de recurso a calefacção (os heating degree days, ou HDD). Em 16 dos últimos 19 anos o número de HDD foi menor do que a média registada no período entre 1980 e 2004. E se esta diminuição tem pouco impacto em países como Portugal, onde os Invernos são amenos, pode conduzir a poupanças energéticas significativas nos países do Norte e Centro da Europa, com a consequente redução das emissões poluentes. Ao todo, adianta a agência, nos últimos 17 anos o sector residencial europeu produziu menos 91 milhões de toneladas de CO2.
“A temperatura média da Europa está a subir rapidamente, sobretudo desde o final da década de 1980”, explicou ao El País o perito em alterações climáticas da EEA, explicando que, apesar de ser mais sentida no Verão, a subida dos termómetros é mais acentuada no Inverno. É nesta estação, diz o perito, “que a temperatura média aumenta mais depressa”.
Os dados da EEA foram conhecidos na mesma semana em que foi publicado um relatório do Global Carbon Project concluindo que as emissões mundiais de CO2 deverão cair 2,8 por cento este ano, depois da redução de dois por cento em 2008. Os 31 cientistas envolvidos no estudo dizem, porém, que esta quebra é consequência directa da recessão e que a retoma económica vai inverter esta tendência, porque as emissões nos países em desenvolvimento, como a China, continuam a aumentar rapidamente, em grande parte para fabricar produtos exportados para os países ricos.
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados. Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.
MAIS NOTÍCIAS