Entrevista
Os jovens devem seguir os caminhos da assumpção do risco e da não submissão ao insucesso
A Futurália 2011 está já a ser preparada. Que respostas este evento procura dar aos jovens portugueses?
Na Futurália pretende-se essencialmente, mostrar aos jovens e também a quem de alguma forma se preocupa verdadeiramente com eles, que existem opções distintas, formas diferentes de orientar os seus percursos de vida, ajudando-os a tomar as decisões que o seu imaginário, tendências e visão do futuro neles projectam, fazendo isso munidos de conhecimento correcto, completo e organizado.
O “Conhecimento”, assume sempre uma superior importância para que as necessárias opções sejam tomadas na altura certa, sem imposições nem informações polarizadas ou distorcida.
A Futurália 2011, fiel ao compromisso Educação/Formação, privilegia os eventos ligados a este importante binário, aliando-os ao empreendorismo e ao desenvolvimento de competências direccionados aos jovens, desde os que frequentam o 9º ano de escolaridade, o 12ºano, licenciatura, mestrado e doutoramento, até aos que se interessam por enriquecer o seu percurso através de programas nacionais e internacionais de investigação científica.
A frase “A vida é tua - descobre o teu caminho volta” a ser o lema da Futurália. Com que caminhos se deparam hoje os jovens portugueses?
Certamente que não são os caminhos da crise em curso, nem a desilusão por ela criada, nem os antídotos actualmente propostos. São sim os caminhos da mobilidade nacional e internacional, da formação alargada e contínua, da iniciativa individual ou em grupo, da assumpção do risco, da não submissão ao insucesso, assumindo que ele faz parte de qualquer processo.
Para este ano estão previstas algumas novidades, como o dedicar um dos dias à família. Qual o objectivo dessa iniciativa?
O espaço de interacção e participação nas temáticas que envolvem o binómio Educação/Formação, exige cada vez mais ser preenchido com os seus protagonistas naturais, ou seja os jovens, os pais e os professores, com responsabilidades partilhadas. A rápida mutação dos parâmetros que em dado momento caracterizam a sociedade, obrigam a um conhecimento e posterior aceitação dos métodos e conteúdos educacionais que no seu ritmo próprio, procuram ponderadamente, livres de pressões externas ao sistema, responder às exigências. A família, sendo parte integrante do fenómeno educacional, encontra na Futurália uma oportunidade rara para reflectir em conjunto com os seus jovens, na presença dos professores e dos representantes das instituições ligadas ao ensino e à investigação científica, propostas e perspectivas de futuro.
Concorda com a ideia de que a qualificação dos portugueses é um dos maiores desafios que se coloca ao país?
Sem dúvida. É talvez o maior dos maiores desafios. Mas falar em qualificação sem falar educação, cultura, ética e cidadania, é favorecer um percurso muito incompleto na formação do indivíduo. Somente conjugando todos aqueles factores, se poderá caminhar para o humanismo na competência, cultura na qualificação, bom senso na decisão, que no conjunto, constituem grande parte do património estrutural da nação, muitas vezes esquecido na hegemonia importante mas monocórdica, dos factores económicos prevalecentes.
Na sua perspectiva, enquanto professor catedrático, as instituições de ensino têm sabido responder aos desafios e às novas exigências do mercado?
Permita que aborde a questão da seguinte forma: “As relações mercado de trabalho, economia, indústria-universidade, têm-se desenvolvido confrontadas com pontos de vista e perspectivas paradoxais. Esta situação deriva particularmente de se pretender comparar realidades que só parcialmente coexistem, não se aceitando como natural, que grande parte dos objectivos e mesmo do enquadramento sociológico são diferentes e que assim deverão permanecer. Cada um tem o seu papel a desempenhar, num relacionamento próximo e consequente”.
“É do domínio público que a actual oferta de ensino superior mostra ainda sinais preocupantes de grande dispersão e de alguma inconsistência não obstante o esforço que tem sido desenvolvido para melhorar a situação. As designações dos cursos são muitas vezes escolhidas por critérios ligados à compreensível preocupação das instituições de tornarem as suas ofertas curriculares atractivas, procurando dar satisfação a uma procura que se tem mostrado particularmente condescendente para com as imagens promocionais de determinadas áreas temáticas.
A relação entre o nome e o conteúdo de alguns cursos apresenta-se frequentemente desajustada: uma mesma denominação pode dar abrigo a perfis de formação muito heterogéneos e designações diferentes podem corresponder a perfis muito próximos. Daqui resulta uma certa opacidade, quer para os candidatos ao ensino superior, quer para os próprios empregadores”.
O sistema de acreditação levará o seu tempo a acertar esta configuração tendo em consideração as consequências da introdução do “Processo de Bolonha”, que merecem, neste aspecto, uma profunda reflexão.
O ensino secundário, por seu turno, foi durante muito tempo essencialmente organizado na perspectiva do ingresso na universidade, com prejuízo do ensino profissional que tardou muito a ser recuperado, prejudicando assim uma importantíssima parte das respostas a dar ao mundo empresarial e consequentemente às exigências do mercado de trabalho.
Outro factor a ter em linha de conta, refere-se à necessidade de articular as condições de acesso ao ensino superior, em face das novas formações que irão surgir, com a formação dos jovens a nível do secundário, nomeadamente com a duração da formação neste nível, aproximando e harmonizando, dentro do possível, a situação nacional com a situação a nível europeu, evitando ao mesmo tempo rupturas e descontinuidades que certamente causarão enormes prejuízos aos estudantes, podendo contribuir com elevado peso para o insucesso dos estudantes no ensino superior.
Como presidente da Comissão Consultiva da Futurália, qual a mensagem que deixa aos jovens portugueses?
Em primeiro lugar que não olhem o futuro apenas com a visão do passado recente e mesmo do presente. Os parâmetros de vida mudam rapidamente. O que era ontem uma oportunidade poderá hoje deixar de ser. O que poderia parecer um caminho fechado poderá abrir-se num arco-íris de possibilidades. Não esperem passivamente a chegada do emprego, da ajuda remota, da amizade sem confiança. Vão ao encontro de tudo isso, embrenhem-se na vida, abram-se à informação, com os olhos postos no conhecimento, para atingirem a meta da sabedoria, que se assume como a meta do bem-estar convosco e com os outros.
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