Vinte projectos chegam à final do Prémio Sonae Educação

Chegar a esta fase já é uma vitória. No Pitch Day do Prémio Sonae Educação, é esse o sentimento que parece unir os vinte finalistas da quarta edição, escolhidos entre mais de mil candidaturas.

Foi com o compromisso de criar um amanhã melhor para todos que a Sonae lançou o Prémio Sonae Educação, uma iniciativa que distingue e apoia projectos inovadores e inclusivos dedicados a melhorar o acesso e a qualidade da Educação em todas as fases do ciclo de aprendizagem.

As candidaturas dividem-se em duas categorias: a Geral, destinada a iniciativas promovidas por qualquer tipo de entidade, pública ou privada, com potencial de escala e replicação, e a de Escolas Públicas, dedicada a iniciativas escolares adaptadas à realidade da comunidade local.

Ainda que, no final, nem todos possam ganhar, cada um dos projectos finalistas deste prémio já carrega consigo uma vitória. Sendo o maior prémio de educação no país, o PSE funciona como uma montra de visibilidade e uma validação da qualidade das ideias apresentadas. Os vencedores recebem um valor monetário de até quarenta mil euros na Categoria Geral e de até dez mil euros na Categoria Escolas Públicas. Mas não é apenas pelo apoio financeiro que o PSE se distingue: cada projecto vencedor passa a integrar o ecossistema Sonae, beneficiando de acompanhamento especializado, mentoria e apoio na monitorização do impacto das iniciativas.

Com a apresentação dos projectos e as entrevistas individuais, é no Pitch Day que o júri tira as últimas dúvidas para escolher os vencedores. E este dia é também um ponto de encontro entre pessoas que partilham a ambição de transformar a educação e de encontrar respostas para alguns dos seus principais desafios — uma oportunidade para honrar a visão e o legado de Belmiro de Azevedo, tão presentes na forma como a Educação é um tema central para a Sonae. Acompanhar esta jornada de perto é testemunhar que a transformação social continua a ser a missão de muitos, assumida com rigor e compromisso.

Pitch Day Prémio Sonae Educação 2026

Pitch Day Prémio Sonae Educação 2026

CONHEÇA OS FINALISTAS

Categoria Escolas Públicas

Academia dos Agentes da Inclusão

Escola Básica da Amoreira

Alunos do 1.º ciclo tornam-se agentes activos da inclusão através de experiências de empatia, comunicação e cidadania. O projecto promove a participação de alunos com multideficiência e prepara um modelo para chegar a outras escolas.

Agir para Incluir

Agrupamento de Escolas António Nobre

Um sistema digital de acompanhamento que permite identificar precocemente as necessidades dos alunos e coordenar as respostas das equipas educativas. O projecto transforma dados em decisões mais rápidas, preventivas e ajustadas a cada aluno.

Clube de Apoio à Inclusão

Agrupamento de Escolas de Pedrouços

Um programa de mentoria entre pares forma alunos voluntários para apoiar colegas com necessidades específicas nos vários espaços da escola, reforçando a sua participação, autonomia, bem-estar e sentimento de pertença.

Cria Lab

Agrupamento de Escolas Clara de Resende

Um laboratório de fabricação digital onde jovens em situação de vulnerabilidade exploram impressão 3D, programação, robótica e multimédia. A aprendizagem prática ajuda-os a descobrir competências, vocações e novos percursos de futuro.

Eva Braillin

Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita

Uma boneca educativa multissensorial que torna a aprendizagem inicial do Braille mais lúdica, autónoma e acessível. A solução apoia crianças com deficiência visual e capacita famílias e profissionais para acompanharem esse percurso.

Gana e Loja Social Escolar

Agrupamento do Teixoso

Um gabinete multidisciplinar que acolhe e acompanha novos alunos, enquanto uma Loja Social Escolar responde a carências materiais básicas. O projecto promove uma integração mais humana, digna e inclusiva de alunos e famílias.

Itinerários de Aprendizagem: Personalizar para Incluir

Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato

Percursos flexíveis permitem que cada aluno aprenda ao seu ritmo, recorrendo a diferentes formatos e participando nas formas de avaliação. O projecto procura aumentar a motivação, melhorar os resultados e responder à diversidade.

ProMentI

Agrupamento de Escolas de Águeda

Alunos do 2.º ciclo aprendem e crescem em conjunto através de relações estruturadas de mentoria. O programa reforça competências académicas e socioemocionais, autonomia, confiança e integração na comunidade escolar.

Robots que Brincam, Mentes que Crescem

Jardim de Infância do Agrupamento de Escolas de Castro Verde

Robótica, histórias e actividades STEAM entram no quotidiano do jardim de infância. Através da brincadeira, crianças dos 3 aos 6 anos desenvolvem raciocínio lógico, criatividade, colaboração e literacia tecnológica.

Sarah

Agrupamento de Escolas Aver-o-Mar

Uma aplicação personalizável e disponível offline ajuda alunos com dificuldades de comunicação a expressarem necessidades, emoções e ideias através de símbolos, imagens, texto e voz, promovendo maior autonomia e participação escolar.

QUANDO AS SOLUÇÕES NASCEM

DENTRO DA ESCOLA

Comum aos professores com quem falámos, uma certa recusa em ficar de braços cruzados à espera que as coisas acontecessem ou que a burocracia se tornasse menos complexa. Havia também uma dificuldade comum: habituados a comunicar, nem sempre estavam familiarizados com a exigência de condensar as suas ideias num pitch de poucos minutos. Um desafio que facilmente superaram.

“Para os professores, o exercício do pitch de cinco minutos é das coisas mais complexas. Nós somos faladores por natureza, temos muito para dizer e chegar ali e resumir tudo não dá para explicar bem. Mas é um contacto e um exercício muito interessante”, desabafavam os responsáveis pelo Agrupamento de Escolas António Nobre, do Porto.

Sobre o contacto directo com o júri, os professores que vieram da Amora, Seixal, do Agrupamento de Escolas Pedro Eanes Lobato, também partilharam a dificuldade de resumir a ideia em pouco tempo. “Para nós, professores, o pitch é o maior desafio. Queremos passar tanta coisa em tão pouco tempo... Mas a conversa com o painel de júri e a gravação do vídeo ajudam a desconstruir esse ambiente formal. Permitem-nos chegar aos aspectos que não tivemos oportunidade de aprofundar”, contaram.

PERSONALIZAR O ENSINO

Respostas concretas a problemas do sistema educativo - ou ‘dores profundas’, como alguém os descreveu. Para o Agrupamento de Escolas de Pedrouços, a aposta passa por um programa de mentorias entre alunos, como forma de combater o insucesso escolar e a solidão nas salas de aula. “O nosso projecto proporciona o encontro e o acompanhamento entre colegas. Um aluno que seja bom numa disciplina ajuda o colega que está com dificuldades nessa área. Queremos que possam ser mentores e mentorandos ao mesmo tempo. Ninguém é bom em tudo: o projecto cruza estas necessidades e combate o isolamento”, explicam os professores da escola da Maia.

Voltando à Amora, a proposta do agrupamento passa por desconstruir o modelo rígido de turma através do que baptizaram de “Itinerários de Aprendizagem” , desenhados à medida do ritmo de cada um: “os Itinerários são uma possibilidade de cada aluno aprender de acordo com os seus interesses, ritmos e necessidades”. Ao contrário do que se faz numa sala de aula tradicional, “os itinerários dão ao aluno tudo o que ele tem para fazer, mas permitem-lhe fazer o seu próprio percurso. Personalizar para incluir”, acreditam.

A TECNOLOGIA AO SERVIÇO DA INCLUSÃO

A tecnologia surge, naturalmente, como uma ferramenta de apoio para alunos não-verbais ou com necessidades específicas — áreas onde os tempos de resposta do Estado muitas vezes chegam tarde demais. No Agrupamento de Escolas de Aver-o-Mar, foi o próprio técnico de informática da escola que desenvolveu internamente uma aplicação para descodificar os comportamentos de crianças que não conseguem falar, evitando que a frustração se transforme em crises.

O objectivo de participarem no PSE é conseguir fazer a ponte para as famílias: “precisamos que a comunicação seja mais perceptível entre emissor e receptor, especialmente nos miúdos que não verbalizam. Muitas vezes, atribuímos a crises aquilo que é, na verdade, uma tentativa de comunicarem connosco. E os pais estão desesperados por ajuda. Temos a perspectiva de que a comunicação de um aluno pode melhorar até 70% se em casa alguém também trabalhar com eles através desta ferramenta”.

A questão do tempo e da perda de informação está também na base do projecto do Agrupamento António Nobre, onde um terço das 1500 crianças tem necessidades específicas de aprendizagem. A proposta, uma plataforma digital que junta professores, médicos e famílias em tempo real, pretende acabar com os papéis e garantir que a inclusão não fica só pela teoria. “O que consome muito tempo aos professores é a burocracia, são papéis e mais papéis. Se puder estar tudo centralizado, a informação torna-se mais rápida”. Actualmente, estes registos fazem-se num papel “que depois ninguém lê”, acusam. “Não queremos que a inclusão seja apenas um discurso que hoje em dia toda a gente usa. Queremos ir além da teoria e ver se fazemos algo mais pelos nossos miúdos”, partilharam.

CONHEÇA OS FINALISTAS

Categoria Geral

+Empati@

Associação No Bully Portugal

Módulos digitais integram programação, cidadania digital e competências socioemocionais para prevenir o bullying e o cyberbullying. O projecto envolve crianças, professores e famílias na construção de ambientes educativos mais seguros.

Color ADD

Programa nas Escolas

ColorADD.Social Associação

O projecto pretende levar o programa aos Açores, promovendo a inclusão através do Código ColorADD, de actividades pedagógicas e imersivas e do rastreio precoce do daltonismo e da acuidade visual, ajudando a tornar materiais e espaços escolares mais acessíveis.

DIGI LAB

Aproximar, Cooperativa de Solidariedade Social

O projecto pretende criar um laboratório de aprendizagem no Estabelecimento Prisional de Leiria Jovens, onde jovens reclusos poderão desenvolver competências socioemocionais, digitais e de empregabilidade e preparar um projecto de vida para a transição para a liberdade.

Escola do Futuro

Agrupamento de Escolas de Vila Flor

Uma unidade móvel equipada com realidade virtual, realidade aumentada e simulação digital pretende levar experiências de aprendizagem integradas no currículo às escolas públicas do distrito de Bragança, reduzindo desigualdades entre territórios rurais e urbanos.

IntegrArte

Rural Move - Associação Para A Promoção dos Territórios de Baixa Densidade

O projecto pretende promover a integração de crianças e famílias migrantes em territórios rurais através de sessões de arteterapia que trabalham a expressão emocional, a língua portuguesa, as competências socioemocionais e o diálogo intercultural.

Kaizen Education - Melhoria Contínua nas Escolas Públicas

Kaizen Education

O projecto pretende aplicar a metodologia Kaizen no Agrupamento D. Afonso III de Vinhais, simplificando processos administrativos, criando rotinas de melhoria contínua e libertando tempo dos professores para a preparação das aulas e o acompanhamento dos alunos.

LIA - Laboratório de Inteligência Aplicada

Escola Secundária Camilo Castelo Branco

Um sistema de inteligência artificial local e seguro disponibiliza recursos educativos adaptados a diferentes perfis, línguas e necessidades. Criado com curadoria docente e científica, poderá ser replicado por outras escolas públicas.

Milage Ponte

Associação Ser Milage

Uma plataforma de aprendizagem gera actividades ajustadas às necessidades de cada aluno e disponibiliza apoio digital permanente. O projecto ajuda os professores a personalizar o ensino e a acompanhar de forma mais próxima quem enfrenta maiores dificuldades.

MindSchool

Associação Magnolia Method

O projecto pretende testar uma plataforma que combina check-ins emocionais, observação dos docentes e indicadores de participação para ajudar professores e psicólogos a identificar mais cedo sinais de sofrimento emocional em alunos dos 6 aos 16 anos.

MIT for All

Code for All

Um programa digital e gratuito ajuda os participantes a descobrir o seu potencial para a tecnologia, aprender programação e desenvolver um projecto aplicado, criando novas oportunidades para pessoas desempregadas ou em reconversão profissional.

MAIS INOVAÇÃO SOCIAL

Se na categoria de Escolas Públicas a mudança começa nas salas de aula, na Categoria Geral a inovação social estende-se aos contextos mais vulneráveis e por vezes invisíveis.

É o caso do Digilab, a funcionar no Estabelecimento Prisional de Leiria — a única instituição do género para jovens dos 16 aos 25 anos.

Apesar de a prisão já assegurar o ensino tradicional e a formação profissional, o projecto foca-se nas competências socioemocionais, digitais e de empregabilidade, oferecendo a estes jovens “uma alternativa real às trajectórias de exclusão”, como partilhou a responsável pelo projecto. A candidatura ao PSE tem como objectivo reabilitar um espaço fora da zona dos pavilhões prisionais. “Há pouco espaço para a inovação. O Digilab vem trazer uma complementariedade a este nível, permitindo que os jovens explorem os seus talentos e desenhem um percurso personalizado”, explicaram. “Hoje, funcionamos num espaço muito pequenino e dentro de um pavilhão, o que significa que só os jovens desse pavilhão podem participar. Queremos ir para fora da zona dos pavilhões, reabilitar um espaço maior e fazer com que todos os jovens reclusos possam beneficiar do projecto".

Combater o cyberbullying pela empatia

A saúde mental e o isolamento dos mais novos são o campo de batalha da No Bully. Há dez anos que trabalham estes temas e já passaram por mais de 60 escolas. Hoje, o foco está mais virado para o cyberbullying, sendo transversal a todas as questões que exploram a promoção da empatia entre alunos, professores e pais através do diálogo. “Hoje em dia, o isolamento clássico cruzou-se com o bullying online. É um fenómeno silencioso, que escala de outra forma e que faz com que quem sofre se isole ainda mais”, alerta a responsável pelo projecto. “Tradicionalmente, quando há bullying, ou se ignora e se diz que 'são coisas de miúdos', ou se castiga, repreende e suspende. Mas promove-se muito pouco o diálogo e ainda menos a empatia. A investigação psicológica mostra que quando castigas um aluno sem o ouvir antes, ele não vai passar a ter empatia pela vítima. Pelo contrário: vai revoltar-se e fechar-se, piorando a situação quando os adultos não estiverem a ver”, partilha, contextualizando melhor o projecto com o qual concorre ao PSE, o +Empati@.

A arte como linguagem universal

Mas na Categoria Geral há diversas abordagens a variados problemas. A Rural Move, por exemplo, traz ao ecossistema da educação o projecto integrARTE, desenhado em Miranda do Douro. Nasceu durante a pandemia a partir de um colectivo espalhado por vários territórios rurais para desafiar a concentração urbana no litoral, e contou desde o início com o apoio de incubação da Casa do Impacto.

No Pitch Day, a associação apresentou uma resposta para a dupla vulnerabilidade de quem é migrante no interior do país, utilizando a expressão artística (através de concertos, pintura e encontros comunitários) para cruzar velhos e novos residentes, superando barreiras linguísticas e culturais. “A Rural Move surgiu na pandemia, quando um grupo de pessoas em diferentes territórios rurais começou a partilhar os desafios, mas também a grande sorte que é viver no interior. Perguntámo-nos: porque é que estamos todos encavalitados em Lisboa e no Porto, como sardinhas em lata, quando há tanto potencial nos territórios rurais?”, recorda uma das fundadoras. “Ser migrante num território rural não tem nada a ver com ser migrante numa cidade. É muito mais difícil, é uma vulnerabilidade dupla. Por isso, a resposta tem de ser específica. A arte é um veículo superpoderoso e uma linguagem universal que ultrapassa qualquer barreira. É uma ferramenta fortíssima de união e expressão”, defende.

A importância da capacitação

O sucesso e o impacto dos projectos finalistas vão-se construindo ao longo do acompanhamento próximo da equipa da Sonae dedicada ao PSE e de parceiros estratégicos como a Casa do Impacto.

Apresentadas as propostas finalistas, fica evidente que o impacto do PSE começa muito antes da atribuição dos apoios financeiros. Todo o processo de selecção é desenhado para desafiar os candidatos a estruturar, focar e simplificar as suas ideias.

Para Daniel Fonseca, director de marca e comunicação da Sonae, esta exigência pedagógica é uma das maiores virtudes da iniciativa: “o processo ajuda a organizar a base da ideia de uma forma que, independentemente dos resultados, cria melhores condições para que, no futuro, ao experimentarem a transmissão desta ideia junto de outros, possam beneficiar disso. Todo este processo culmina numa tentativa de ser cada vez mais objectivo e mais claro”.

Num ano em que a iniciativa superou a marca das mil candidaturas — impulsionada também pela adesão massiva à nova categoria de Escolas Públicas, com mais de 350 projectos —, o responsável da Sonae sublinha o selo de garantia que a distinção confere:

Acreditamos que um processo com o rigor que o Prémio Sonae Educação pretende impor dá uma chancela de qualidade que pode, inclusive, abrir portas junto de outros investidores sociais. O facto de terem de organizar as ideias e estruturá-las durante a candidatura permite que fiquem preparados para se candidatar a outras oportunidades".

Da esquerda para a direita: Daniel Fonseca, director de marca e comunicação da Sonae; Miguel Mota Freitas (Chief Representative for Culture & Education Sonae), membro do júri do PSE 2026

Da esquerda para a direita: Daniel Fonseca, director de marca e comunicação da Sonae; Miguel Mota Freitas (Chief Representative for Culture & Education Sonae), membro do júri do PSE 2026

Ferramentas para o futuro

É precisamente neste trabalho de bastidores que entra a Casa do Impacto. Nesta edição do PSE, a estrutura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa capacitou os projectos através de metodologias de apresentação e storytelling, ajudando-os a condensar anos de trabalho em apenas cinco minutos perante o júri. Para garantir que todos chegavam ao Pitch Day em pé de igualdade, o acompanhamento arrancou com uma masterclass conjunta e avançou, na Categoria Geral, para sessões individuais de tutoria.

Nuno Comando, director da Casa do Impacto, destaca a relevância desta componente no terreno: “todo o apoio e capacitação que conseguimos dar a estes projectos é extremamente relevante para a sua continuidade. Uma apresentação de cinco minutos não é propriamente o ambiente típico de um docente [referindo-se, a título de exemplo, a alguns dos participantes] mas é fantástico ver o entusiasmo com que encaram este desafio. Percebe-se que existem projectos com imenso valor e com potencial para serem replicados”.

Nuno Comando é director da Casa do Impacto, parceira do PSE desde a 1ª edição

Nuno Comando é director da Casa do Impacto, parceira do PSE desde a 1ª edição

Além de preparar as equipas para o palco, esta metodologia acaba por semear pontes duradouras entre quem está no terreno a transformar a educação. “O que se tenta passar, essencialmente, é que este apoio sirva para apresentar as iniciativas, mas também para criar um ambiente de partilha e uma verdadeira comunidade de projectos que estão a inovar”, conclui Nuno Comando.

MUITO MAIS DO QUE UM PRÉMIO: A REDE QUE FICA

No final de um dia intenso como o Pitch Day, a conclusão é unânime entre todos: a maior conquista do Prémio Sonae Educação não se esgota nos cheques que serão entregues na gala final.

Num país onde os recursos da educação e da inovação social continuam a ser escassos, o valor acrescentado desta iniciativa está na capacitação para desenvolver os projectos e na partilha entre participantes. O processo de aceleração obriga as equipas a sair da zona de conforto, a desconstruir os seus projectos e a ganhar a capacidade sintética de comunicar o seu valor em apenas cinco minutos. “Estar aqui, no meio de mil e tal candidaturas, já dá uma projecção e uma visibilidade enormes”, confessava a equipa da No Bully Portugal. “O processo de treino e mentoria com a Casa do Impacto foi óptimo. Fizemos o treino do pitch duas vezes e ajudou-nos a melhorar e a perder o pânico de apresentar. Além disso, já conheci outros projectos aqui hoje com os quais fiquei com muita vontade de fazer parcerias no futuro”, partilha a responsável.

Foto de grupo dos finalistas da categoria Escola Públicas

Foto de grupo dos finalistas da categoria Escola Públicas

Todos os participantes com quem falámos vêem nesta ‘montra’ um passaporte para captar novos investidores sociais, independentemente do veredicto do júri: “Para as associações e escolas que lidam com tanta burocracia no dia-a-dia, ter esta orientação para organizar uma candidatura é fundamental. Mesmo que em Setembro o projecto não seja o grande premiado, o processo dá-nos uma estruturação que abre portas a outro tipo de apoios no futuro”, afirma a equipa do Digilab.

Foto de grupo dos finalistas da categoria Geral

Foto de grupo dos finalistas da categoria Geral

Do ponto de vista do júri, a verdadeira mais-valia da iniciativa reside precisamente nesta capacidade de criar rede e gerar alcance: “para além do apoio financeiro, há também uma mentoria, um acompanhamento. Às vezes o que nos falta é esta capacidade de cooperar e de encontrar boas alternativas, e acreditamos que essa visibilidade e essa possibilidade de dar a conhecer a várias instituições esses projectos lhes permite ter mais alcance, ter mais impacto", partilhou Miguel Mota Freitas.

O Prémio Sonae Educação consolida-se, mais uma vez, não apenas como ‘o maior galardão do género no país’, mas como um ecossistema vivo, capaz de criar uma rede que fica para o futuro.

CONFERÊNCIA

Terminado o Pitch Day, cabe agora ao júri a tarefa de deliberar e escolher os vencedores desta edição. O resultado final será revelado a 10 de Setembro, num evento que junta a entrega dos prémios à conferência “Educação Inteligente: o futuro da aprendizagem na Era da IA”. Serão premiados três finalistas em cada uma das categorias.

Educação Inteligente: o futuro da aprendizagem na era da IA

e entrega dos prémios aos vencedores do Prémio Sonae Educação

A cerimónia de entrega dos PSE é também uma oportunidade para aprofundar questões e desafios que educadores e professores enfrentam no seu quotidiano. Este ano, o foco da conferência centra-se na utilização da Inteligência Artificial, não apenas na sala de aula, na relação com os alunos, mas também enquanto ferramenta de trabalho para professores, tendo em conta que uma das principais preocupações expressas é o tempo despendido em tarefas burocráticas.

Quando? 10 de Setembro, 14h30

Onde? Auditório da Fundação de Serralves*, no Porto

* a participação é gratuita mas limitada à lotação da sala

Programa completo

Os leitores do PÚBLICO têm acesso a bilhetes exclusivos para assistir presencialmente ao evento, mediante inscrição obrigatória neste link com o código PSE26-ASSINANTES