O presente de Natal que oferece o mundo

Um livro leva-nos a viajar por lugares que nunca visitámos e a cruzar-nos com destinos diferentes do nosso. Ao longo de páginas que parecem voar, vivemos mil aventuras sem sair do sofá. É isso que o torna o presente perfeito.


Carlos Ruiz Zafón, escritor e argumentista espanhol, escreveu numa das suas obras que “cada livro, cada volume que vês, tem uma alma. A alma de quem o escreveu, e as almas daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém passa o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se mais forte”.

Esta é a magia dos livros: marcam quem os escreve, quem os lê, e, quem os oferece, testemunha o seu poder transformador. É por isso que o livro continua a ser o presente ideal para o Natal. Ao oferecer um livro, damos mundos, viagens e sensações. Abrimos portas para lugares diferentes, vidas e experiências que tornam quem as vive mais rico em memórias e descobertas que permanecem para sempre.

“Cada livro, cada volume que vês, tem uma alma. A alma de quem o escreveu, e as almas daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele”
Carlos Luís Zafón

Se sentimos o poder da leitura a cada capítulo – e a ciência o comprova –, não há como duvidar da sua força. É precisamente isso que a APEL quer celebrar nesta época natalícia, com uma campanha que acompanha os livros ao longo da vida: desde uma criança que descobre uma história de detectives no dia de Natal, passando por um livro de cozinha que junta a família à mesa da Consoada, até um Conto de Natal lido por alguém mais velho, que mantém tradições e atravessa gerações. Uma mensagem que nos lembra que os livros estão sempre presentes – e tornam cada momento ainda mais especial.

A nova campanha da APEL lembra-nos que os livros estão sempre presentes, tornando cada momento ainda mais especial

Voz aos leitores

Para lembrar como a leitura transforma, marca e acompanha ao longo da vida, recolhemos testemunhos de leitores rendidos a esta paixão – vozes que revelam o impacto real que os livros tiveram nas suas histórias.

"Quando era criança não tinha muitos livros, mas lembro-me de os ter lido vezes sem conta. Levavam-me para sítios e tornavam-me familiar com lugares que não conhecia, que dentro de mim conheci"

Rosário T.

As histórias de quem lê

Aleitura é uma paixão que, uma vez despertada, já não se larga. Que o diga Patrícia C., que recorda: “As minhas imagens mentais são de ler, quando era miúda, nos corredores do meu colégio, em cada intervalo. De ir a correr para o corredor para ler.” Também para Inês C. se tornou um hábito irresistível desde cedo: “Lembro-me de a minha mãe me mandar dormir e eu esconder-me debaixo dos lençóis com uma luzinha a ler… Lia um livro em dois dias…”

É por isso que o livro continua a ser o presente ideal para o Natal. Ao oferecer um livro, damos mundos, viagens e sensações. Abrimos portas para lugares diferentes, vidas e experiências que tornam quem as vive mais rico, de aprendizagens, memórias e descobertas que permanecem para sempre.

Ler é como viajar, partilha a Rosário T.: “Quando era criança não tinha muitos livros, mas lembro-me de os ter lido vezes sem conta. Levavam-me para sítios e tornavam-me familiar com lugares que não conhecia, que dentro de mim conheci." A leitura passou assim a ser "um momento de descoberta guiada" onde ler "era um lugar de felicidade, independentemente do livro e do local onde eu estivesse”.

Também o Alexandre M. conta que os livros já o levaram pelo mundo fora, prova de que ter livros em casa pode proporcionar experiências não antecipadas: “Todos os anos, nas férias de Verão, ia passar férias a casa dos meus tios, em Vila Real. Sem amigos por perto e com uma diferença de idades considerável em relação aos meus primos, mergulhava nos livros que ia descobrindo nas estantes da casa. O meu preferido era um Atlas do Mundo, onde passava o tempo a ler sobre as maravilhas naturais do continente americano e a decorar as bandeiras e as capitais dos países”.

"As minhas imagens mentais são de ler, quando era miúda, nos corredores do meu colégio, em cada intervalo. De ir a correr para o corredor para ler"
Patrícia C.
“Todos os anos ia passar férias a casa dos meus tios. Sem amigos por perto e com uma diferença de idades considerável em relação aos meus primos, mergulhava nos livros que ia descobrindo nas estantes da casa. O meu preferido era um Atlas do Mundo, onde passava o tempo a ler sobre as maravilhas naturais do continente americano e a decorar as bandeiras e as capitais dos países”
Alexandre M.
“Para mim os livros marcantes são aqueles em que acabamos a pensar «E agora, o que é que vou fazer?», «Porque é que não leio mais?»”
Marta R.

O que os livros fazem por nós, segundo a ciência

Há vários estudos que confirmam aquilo que sentimos quando viramos a primeira página. Uma investigação realizada pelas Universidades de Cambridge e Warwick, no Reino Unido, e a Universidade de Fudan, em Xangai, na China, com mais de dez mil jovens dos Estados Unidos da América (EUA), concluiu que quem começa cedo a ler “por prazer” tende a exibir, na adolescência, uma cognição mais apurada – melhor memória, linguagem e capacidade de aprendizagem –, e uma saúde mental mais equilibrada, com menos sinais de stress, ansiedade ou problemas comportamentais.

E quando começar a ler para uma criança? A resposta pode surpreender: desde bebé. Mesmo que ainda nem falem, ler para bebés pequenos não só ajuda a desenvolver as suas capacidades linguísticas, colocando-as em contacto com palavras mais complexas que não ouvem no dia-a-dia, como também reforça a ligação entre adultos e bebés, como lembra a pediatra Sarah Klein, da Cleveland Clinic. O que há de melhor do que estar com uma criança que fica encantada com uma história?

Além disso, exames cerebrais mostraram que essas crianças desenvolveram volumes maiores em regiões do cérebro ligadas à linguagem, memória e atenção. E não se trata apenas da infância: manter o hábito da leitura ao longo da vida também parece reforçar a “reserva cognitiva”, ajudando a preservar a mente em idades mais avançadas.

Bem a propósito, Hugo P. recorda as aprendizagens que a leitura lhe trouxe e explica que, reconhecendo os seus benefícios, começou desde cedo a ler para as filhas: “«O Conde de Monte Cristo», de Alexandre Dumas, foi o livro que li quando era criança e que me marcou muito, pois a personagem de Edmond Dantès, é um bom catalisador para o que hoje chamamos de «karma is a bitch», já que consegue vingar-se de todos aqueles que lhe fizeram mal, além de encetar uma das melhores fugas da prisão de que há memória. Às minhas filhas, li o «Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry, que é um livro com inúmeros níveis de leitura, adequado para crianças e (principalmente) adultos, estando carregado de poesia que, volta e meia, se adequa aos vários momentos da nossa vida”.

Livros sem palavras e adultos a ler novelas gráficas?

Sendo objectos onde a criatividade impera, se quer oferecer um livro diferente, porque não arriscar? Para as crianças, pode optar pelos livros sem palavras, onde a história se desenrola apenas através das ilustrações. Para outros públicos (de todas as idades) há uma enorme variedade de novelas gráficas que vão desde os grandes clássicos até obras contemporâneas que são, muitas vezes, de grande qualidade literária.

Razões de sobra para encher a lista de presentes com histórias, este Natal. E há mais: segundo um recente estudo da APEL - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, os hábitos de leitura em Portugal continuam a crescer, provando que, para muitos, ver um livro no sapatinho é precisamente a prenda que desejavam.

Em 2024, 76% dos portugueses leram pelo menos um livro, um aumento face ao ano anterior. A média de livros lidos por pessoa situou-se nos 5,3 livros, ligeiramente abaixo dos 5,6 registados em 2023, o que mostra que ainda há margem para incentivar este hábito.

Os jovens entre os 25 e os 34 anos continuam a ser os que mais leem (91%), mas o maior salto foi dado pela faixa etária dos 15 aos 24 anos, que passou de 58% para 76%. Por isso, este é o momento perfeito para contagiar familiares e amigos com a magia da leitura.

76%
Em 2024, 76% dos portugueses leram pelo menos um livro, um aumento face ao ano anterior. Fonte: "Mercado do Livro: Hábitos de Compra e Leitura em Portugal", APEL

Afinal, um bom livro é o mote perfeito para o próximo, tal como partilha Marta R.: “Para mim os livros marcantes são aqueles em que acabamos a pensar «E agora, o que é que vou fazer?», «Porque é que não leio mais?»”

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