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11 Feverreiro 2026 - 17h23
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Tintim desvenda o enigma dos três Licornes
Por Carlos Pessoa

Num dia de mercado é possível descobrir pechinchas, encontrar amigos e entrar numa grande aventura - pelo menos, no universo de Tintim. Enquanto os célebres detectives Dupond(t) tentam resolver um caso de roubos de carteiras, Tintim e Milu observam antiguidades e deparam-se com um navio ideal para oferecer ao homem do leme, Haddock. E, a partir deste gesto aparentemente vulgar, desenrola-se uma magnífica caça ao tesouro, inspirada pela obra A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson.

Ao mesmo tempo que Hergé imagina uma história repleta de elementos pitorescos, a Europa continua sob fogo, mas o clima de tensão e horror não transparece nas peripécias vividas por Tintim e pelos seus companheiros. Por que motivo Hergé se distancia do real, não sendo possível apontar alusões ao presente? Em primeiro lugar, tal como foi referido em A Estrela Misteriosa, os alemães invadiram a Bélgica e o diário Le Soir está sujeito à censura nazi. Mas, além disso, o autor das aventuras de Tintim pretende dedicar aos seus leitores um momento de evasão para um mundo fantástico, onde não existem campos de concentração, fome e morte.

Assim, O Segredo do Licorne, um dos álbuns preferidos do próprio Hergé, constitui a primeira parte de aventura romanesca, que continua em O Tesouro de Rackham o Terrível. A história combina três narrativas distintas mas inseparáveis. A primeira é a tentativa de solucionar o enigma de um pergaminho que Tintim encontra no mastro do pequeno Licorne. A segunda é o surto de roubo de carteiras a que os Dupond(t), vítimas frequentes do carteirista, são encarregados de pôr termo. E a última é a emocionante história de um antepassado de Haddock, o cavaleiro François de Hadoque (semelhantes fisicamente e não só...), narrada pelo capitão, com recurso a arma branca na luta contra os cruéis piratas.

Preocupado com o rigor, Hergé procurou documentar-se sobre um elemento central da aventura - o Licorne - sobretudo para não repetir os erros na reprodução do Aurora em A Estrela Misteriosa. Nesta etapa, a colaboração de Gérard Liger-Belair, filho de um oficial da Marinha francesa e apaixonado por barcos, foi muito importante para Hergé, que lhe submetia cada imagem onde um navio ou parte dele surgia para garantir a precisão técnica.