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11 Feverreiro 2026 - 17h22
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Tintim suspende o voo do tempo
Por Carlos Pessoa

É uma sensação estranha ver Tintim e Milu evoluírem num ilhéu fumegante onde a fauna e a flora se transformam a olhos vistos. Da semente irrompe em poucos minutos uma enorme árvore, cujos frutos gigantescos acabam por salvar o herói de uma superaranha ameaçadora e hostil… E tudo isto graças a uma escala de tempo que acelera o ciclo evolutivo da Natureza, mas poupa miraculosamente os personagens da história de Hergé.

A irrealidade de A Ilha Misteriosa não fica por aqui. Ninguém sabe por que motivo o corpo celeste explodiu, nem de que forma uma parte dessa massa celeste viria esmagarse na superfície da Terra. E também ficam por explicar os inócuos efeitos do enorme meteorito – entre cem e mil metros de diâmetro – em consequência do impacto no Árctico. De facto, ele teria inevitavelmente de abrir uma cratera com vários quilómetros de diâmetro e os pescadores de focas do cabo Morris seriam arrasados por uma vaga com centenas de metros de altura. O caos daí decorrente seria, pois, incompatível com a existência de um aerólito intacto que sobrenadasse calmamente à superfície das águas geladas.

Tintim desembarca no ilhéu, ainda quente, três meses e meio depois do choque e não há gelo nem icebergues nas imediações. A água, por seu lado, permanece fervente. Ora, no dia seguinte, quando o herói abandona a rocha prestes a afundar-se, a temperatura do oceano já baixou ao ponto de ele conseguir mergulhar nas águas e nadar sem dificuldades. Estas e outras incongruências “matam” a história? De um ponto de vista científico, a resposta só pode ser afirmativa. Mas como estamos no território da mais pura aventura, quantos admiradores de Tintim se importarão realmente com tais pormenores?