Nas Highlands com Tintim
Por Carlos Pessoa
Na aventura de Tintim pelas Highlands, Hergé inspirou-se
em cenários e ambientes reais que, 65 anos depois, continuam
quase intocados. A matriz de A Ilha Negra é a de uma
Escócia distante e romântica, quase permanentemente
envolta num manto de chuva fria e brumas. É esta atmosfera
que dá a impressão ao leitor, tal como ao turista, de
ter atingido um dos últimos recantos do fim do mundo…
Se os passos do viajante tintinófilo o levarem até ao
castelo escocês de Eilean Donan, constatará a incrível
similitude com as ruínas do castelo de Ben More desenhado
por Hergé. Mas não é tudo. O pequeno porto de Portree,
capital da ilha de Skye, é um dos locais que inspiraram
o criador de Tintim na criação de Kiltloch (associação
das palavras kilt - indumentária tradicional da Escócia
e loch, lago em escocês). É dali que o herói parte com
Milu para proceder às suas investigações no castelo
da ilha Negra.
Durante o Verão, uma locomotiva a vapor desloca-se de
novo pelos carris que ligam Fort William a Mallaig,
atravessando o viaduto de Glenfinnan, nos Highlands.
Mallaig, términus da linha de Glasgow, é um porto de
mar de onde pode embarcar-se para a ilha de Skye. As
carruagens vermelhas com decoração interior em tons
de amarelo são exactamente iguais às do Flying Scotsman,
comboio do Norte desenhado por Bob de Moor, colaborador
regular de Hergé, durante os trabalhos de campo que
precederam a elaboração da nova versão de A Ilha Negra,
datada de 1966. Aliás, esta é a história mais ferroviária
de Tintim, que utiliza três comboios diferentes na perseguição
que faz aos falsários.
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