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O REPÓRTER GANHA nova vida
Por Ana Filipa Gaspar

No cinema e na televisão, Tintim viveu várias experiências. Mas transpor a magia dos desenhos de Hergé para o ecrã não foi uma tarefa fácil.
A ideia de adaptar as aventuras de Tintim para o cinema e para a televisão surgiu no início da carreira de Hergé. Em 1939, um jornalista perguntava-lhe porque não se dedicava ao desenho animado e o criador de Tintim respondia que a sua forma de contar histórias estava “mais próxima do cinema”. Contudo, só duas décadas depois é que estreava o primeiro de quatro filmes, que representam a passagem do famoso repórter pelo cinema.

Apesar disso, foi na televisão e como desenho animado que Tintim alcançou maior sucesso. Em 1988, surgiu a ideia de realizar uma série inspirada nos álbuns. A Fundação Hergé tentou que a adaptação reflectisse ao máximo as histórias originais e o resultado foi um conjunto de 39 episódios (25 minutos), concluídos em 1992, que transportam o herói da BD para o meio televisivo. E são esses episódios que o PÚBLICO reuniu numa colecção de 21 DVD, editada a partir de hoje e que inclui 5 inéditos: “As Jóias de Castafiore”, “Voo 714 para Sidney”, “Carvão no Porão”, “Tintim no Tibete” e “Tintim e os Pícaros” . Os filmes chegaram a Portugal através da Costa do Castelo Filmes entre 1994 e 95, em formato VHS, e foram relançados em DVD a partir de 2003.

Tintim no cinema

Em 1961, o jovem repórter chega às salas de cinema em “Tintin et le Mystère de la Toison d'Or”. Pela primeira vez, Tintim é representado por um actor de “carne e osso”, Jean-Pierre Talbot. Com realização de Jean-Jacques Vierne, as filmagens decorreram na Turquia e na Grécia.

Três anos depois, a criação de Hergé (que Talbot reencarna de novo) regressa em “Tintin et les Oranges Bleues”, num filme realizado por Phillippe Condrover.

As longas-metragens de animação surgiram mais tarde, apesar de já em 1956 a sociedade Belvision ter começado a ensaiar a passagem da BD para a animação. “Tintin et le Temple du Soleil” (1969) baseou-se no álbum homónimo, “O Templo do Sol”, e em “As 7 Bolas de Cristal”. Pelo contrário, “Tintin et le Lac aux Requins” (1972) inspirou uma nova história de banda desenhada, “Tintim e o Lago dos Tubarões”.

Para os fãs do herói, os quatro filmes foram uma decepção. A falta de meios pode ter sido um dos motivos. Mas as histórias de Hergé também não permitem uma fácil adaptação ao cinema, dividindo-se entre o realismo do contexto e a caricatura das personagens. Por um lado, a animação não consegue capturar a variedade de expressões dos desenhos das personagens e os álbuns aparentam ter mais vida do que os filmes animados. Por outro, os diálogos das histórias soam teatrais quando representados por actores.

Em 1982, Steven Spielberg declarou o desejo de voltar a adaptar as aventuras de Tintim para o cinema. Mas, após várias ideias e anos de reflexão, Spielberg acabou por desistir. Segundo o realizador, era “extremamente difícil” transpor a obra de Hergé para o grande ecrã. Recentemente, o produtor Claude Berri e o realizador Alain Berberian desenvolveram um projecto em torno de “O Templo do Sol”, mas os problemas na selecção do elenco acabaram por conduzir ao fim da tentativa.