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As respostas de João Garcia - Lhotse 2005

 

Caro João,
Tenho lido o teu diário e li também "A mais alta solidão". Gostava de te perguntar porque não transmites mais factos sensoriais e/ou espirituais e menos factuais? Ou aí a lucidez tem de ser bem real e não dá azo a tanta liberdade?
Abraço e força.
Hugo
João Garcia – Essa parte fica para mais tarde, para contar em livro. Pode ser?

Não levavam alguns testes de carácter fisiológico para realizarem em altitude? Se sim, podem revelar alguns dados? Uma descida em 5 horas é bem diferente de 2 dias! E a vossa serenidade é contagiante.
Augusto
João Garcia – Sim, tenho comigo um relógio da Polar que mede a frequência cardíaca. Mas é preciso fazer downloads para o computador e esse, conforme já contei, pifou. De qualquer maneira, o relógio tem uma autonomia de 30 horas e vou usá-lo. Assim, ficarão marcados numa linha de tempo o ritmo cardíaco e a altitude. É claro que pretendemos partilhar esses dados, talvez quando chegarmos a Katmandu, que é onde poderei usar outro computador.

Bom dia ou boa noite!
Gostaria de saber se faz parte dos seus planos tentar escalar os 14 magníficos e assim pertencer a um grupo restrito de pessoas que os escalaram? Esta pergunta é para os dois, embora o João já leve vantagem. Continuação de uma boa escalada e que tenham mais sorte com o tempo.
Cumprimentos,
Hugo Mota

Há alguns dias, Ed Viesturs entrou para a história do montanhismo tornando-se o 12º ser humano a atingir os 14 cumes mais altos do mundo. O que é que tens a dizer sobre isto? É também um objectivo/ideal que tu partilhas e pretendes atingir?
Os meus mais sinceros votos de uma óptima expedição com o melhor desfecho possível.
Nuno Mendes
João Garcia – Isso dos 14 magníficos faz lembrar o filme… Fazer os 14 “oito mil” é um plano muito distante, obviamente devido a limitações de verba.

Desejo que corra tudo bem e em segurança! Apenas uma curiosidade: Como é que os alpinistas gerem os seus relacionamentos familiares, passando tanto tempo fora e em risco, principalmente quando existe mulher e filhos?...
Mariana Martins
Hélder Santos – Os alpinistas, tal como outros desportistas, já exerciam a sua actividade (no caso, já escalavam) antes de se casarem e terem filhos. Por aí, não muda. A família também se vai habituando, gradualmente. Primeiro uma saída de fim-de-semana na serra da Estrela, depois uma semana ou duas nos Alpes, a seguir duas ou quatro nos Himalaias e por aí fora…

Olá, para ti e para o Hélder Santos. Espero que corra tudo bem na vossa expedição. A pergunta que eu queria fazer-te João, ou ao Hélder, é: o que é preciso para se ser guia de montanha? Quais os cursos e formações que se tem que fazer e onde?
Um abraço grande para os dois e que corra tudo pelo melhor com cume ou sem cume, o importante é regressar.
Despeço-me com um abraço para os dois.
Samuel Passos
João Garcia – Deves dirigir-te ou à Escola Espanhola de Alta Montanha, em Benasque, ou à ENSA, a Escola Nacional de Esqui e Alpinismo de Chamonix, França. Procura estes nomes na Internet , está lá tudo explicado.

Caro João,
Apesar de não nos conhecermos, sou um admirador seu. Talvez por andar nisto das alturas há alguns anos (nos aviões, é claro). Mas de facto gostaria de experimentar essa sensação. Espero que estejam os dois bem dispostos e que o vento passe. Tens alguma frequência rádio? Se tiveres, manda.
Um abraço
João Paulo
João Garcia – A frequência que eu e o Hélder usaremos no dia de cume (sábado), em via aberta, é 145.55 mega-hertz. Na sexta-feira, falaremos nos horários habituais, às 8h00, 12h00 e 18h00 do Nepal (3h15, 7h15m, 13h15 de Lisboa, respectivamente).

Os meus sinceros votos de uma boa expedição... é fantástico o que vocês estão a fazer. De vez em quando também vou para as montanhas... e é bem certo que é um vício... mas lá no meio não ouvimos mais nada a não ser a natureza...e os nossos pensamentos voam livres por entre vales e montanhas... Quais são afinal os momentos que vos fazem efectivamente felizes aí?
Henrique
João Garcia – Momentos felizes são todos. Quando escalamos a cascata de gelo, montamos acampamentos, atingimos novas altitudes. Mas mais feliz ainda será o momento de poder regressar bem, com a cereja no topo do bolo, ou seja, poder anunciar a Portugal mais uma vitória para o alpinismo “tuga”.

Já li o seu livro, fantástico. Para quando um DVD com um trabalho sobre as suas subidas aos vários “oito mil”?
Sérgio Cardoso

Gostaria de perguntar ao João Garcia se está a pensar em publicar um DVD com o material que já recolheu. E, já agora, para quando a edição de um segundo livro? Fique sabendo que devorei "A mais alta solidão" em menos de dois dias e já o reli. Sou professor de Biologia e Geologia e já utilizei muitas vezes textos do seu livro para explicar aos alunos alguns fenómenos relacionados com altas montanhas e altitudes extremas. Carlos Filipe

"A mais alta solidão" narra a sua subida ao cume do Evereste (seja ele onde for...). Para quando um livro com os seus "best of"? E para quando uma visita à nossa Invicta? Que tudo corra pelo melhor e que a expedição tenha sucesso (o que não significa chegar ao cume, mas sim que cheguem todos sãos e salvos cá!).
Joana Campos
João Garcia – Seria para mim uma honra que um dia se editasse um DVD com as nossas expedições, que, aliás, são espólio do alpinismo português. Mas só se tiver um menu como o do Gato Fedorento…
Quanto ao livro, tenho planos para isso, em breve darei mais pormenores.

Olá, Viva!
Caro João,
Tenho saboreado as suas aventuras desde há alguns anos a esta parte. Todavia, além de me parecer que provavelmente é o homem mais determinado do mundo conhecido, gostaria que me confidenciasse se, durante esse desafio que representa cada escalada, há stress? Ou se, ao invés, esse mergulho nas montanhas encerra o clímax onírico que um ser humano pode ambicionar atingir?
Um grande abraço,
Cláudio Henrique (Lisboa)
João Garcia – No dia de cume, haverá muito cansaço. Antes, há um pouco de ansiedade e stress. Depois, com cume ou sem ele, há sempre uma sensação de realizar um sonho.

João,
O que é que acontece, burocraticamente falando, se a licença termina e vocês estão ainda na montanha? Faz diferença se estão ainda vão fazer cume ou se estão a regressar? És um herói pá! Ouve-se a malta a falar de ti, aqui por terras lusas!! Nós fazemos a parte que nos compete, claro, e mantemos as boas perspectivas iniciais! A que altitude estão vocês a "viver" neste momento? Muitas energias orientadas para o vosso sucesso... Vocês são o único exemplo que conhecemos, capaz de ilustrar o célebre chavão "Sky is the limit"!!!
Até breve!
Cláudia e Sofia

Não vou tentar passar o fascínio que sinto em ler diariamente os vossos passos, porque seria prolongado... apenas Força. Percebi que viajam integrados numa expedição pela qual não são responsáveis directos. De que forma é isto diferente das anteriores? Quais são as responsabilidades da organização da expedição para com os expedicionários?
E qual a vossa liberdade de acção em atacar a montanha?
Bem lá foram 3 em vez de 1. Votos dos melhores sucessos.
Ivo Costa
João Garcia – A licença é válida até 1 de Junho e não pretendemos violar as leis do Nepal. Não existem sanções. Neste momento baixámos aos 4000m, para diminuir a degradação das nossas capacidades físicas causada pela altitude.
Quanto à autonomia em relação à expedição, a partir do campo base ela é total. Em altitude, somos responsáveis por nós e eles por eles. Temos toda a liberdade na montanha para fazermos o que quisermos.

Já foram bastantes os cumes depois do Evereste. As coisas não correram bem na altura. Está previsto algum regresso ao pico mais alto? Para o Lhotse, bom tempo e FORÇA!
Reinaldo Amarante

João, pretende voltar a escalar o Evereste, ou acha que com tanta expedição comercial e amadores a montanha perdeu o seu encanto?
Mira
João Garcia – Sem dúvida que, neste lado Sul, com tanta expedição comercial, com gente que nunca escalou verdadeiramente uma montanha na vida, o Evereste perdeu o seu encanto. Mas tenho o sonho de um dia, voltar à face Norte com uma equipa portuguesa para (quem sabe?) abrir uma nova via, um novo itinerário. É ousado, não é? Mas é que eu acho que somos tão bons como os outros…

Queridos amigos, admiro-vos pela V. tenacidade e força e invejo-vos, pois tenho o sonho impossível de ver um dia o Evereste... Hélder Santos, não preferia ir ao cume do Evereste, ou a escalada do Lhotse é a sua preparação para o ano que vem...?
Força aí!
Palmira Luís
Hélder Santos – Acho que era ousado da minha parte ir já, no meu primeiro “oito mil”, para o Evereste. O Lhotse é uma belíssima iniciação aos oito mil metros e um bom treino para, quem sabe, no próximo ano…

O que é que sentem os que sobem as montanha mais altas, com mais de 8000 metros de altitude?
José Malhombe
JOÃO GARCIA – Bom, na verdade sinto-me sempre muito deslocado. O homem, de facto, não foi feito para viver nestas paragens. Mas, ao mesmo tempo, sinto uma certa audácia, por ir lá e voltar. É uma sensação estranha.

Boas.
Tal como toda a gente aqui, queria desejar-vos muito boa sorte, esperando que a vossa tenda do campo 1 esteja entre as cinco que escaparam da avalancha de anteontem. É uma pena a escassez de notícias. Mas é, obviamente, compreensível. Filmem e fotografem tudo, e publiquem o que puderem. Há muitos, como eu, à espera disso mesmo. Já agora, contem-nos os planos para as próximas aventuras. O K2 era sem dúvida excelente. E o Annapurna, alguma ideia?
Força e, mais uma vez, boa sorte.
Rui Gonçalo
JOÃO GARCIA – Não está esquecido, mas… calma! Uma de cada vez! Por agora, estamos concentrados nesta montanha, para o ano talvez o K2.

Vejo que estão confiantes, mas nada de pressas, o vosso sirdhar vai com vocês? A rota normal é a dos russos? Espero que corra tudo pelo melhor, têm cordas fixas ou vão em estilo alpino? Tantas perguntas e tão pouco tempo. Vários portugueses vos acompanham com muita ansiedade, vivemos no meio dos Alpes e sabemos bem como elas doem lá em cima. Força e mais um 8000 mil para vocês e PORTUGAL.
UM ABRACO PARA VOCÊS.
Pedro Guimarães
JOÃO GARCIA – Nós escalamos de forma diferente das outras expedições: não usamos carregadores de altitude [o sirdhar é o líder desse pessoal]. Quanto à rota, é diferente, nós vamos pela face Oeste do Lhotse, enquanto os russos subiram pela vertente Sul. A rota que escolhemos é, em cerca de dois terços, semelhante à do Evereste, pelo que está equipada com cordas fixas pelas expedições comerciais. A partir daí, escalamos em estilo alpino.

Adoro o silêncio das montanhas brancas. Mas aqui na Europa o mais comum (no ski) são os +/- 2000m, os 3500 já é difícil de lá chegar. Gostaria de saber qual a diferença entre 8000 e 8500 metros? Afinal, são só 500 metros para quem já subiu 8 km!!!!
M to boa sorte!
André
JOÃO GARCIA – Mesmo sem ter em conta aspectos psicológicos, esses 500 metros de desnível representam mais cerca de 5 horas de esforço num dia muito cansativo. É um esforço violento, até porque depois é preciso descer.

A minha pergunta é: O que se faz ao elemento que morreu que pertence à vossa expedição?
Tenham muito cuidado e muita força.
Abraços e cá estarei a acompanhá-los no diário.
Sérgio Silva
JOÃO GARCIA – O corpo foi trazido até ao campo base por sherpas, que demoraram três dias a cumprir a tarefa. O Mike tinha quase 120 quilos… Depois, um helicóptero levou-o para Katmandu, onde o irmão tratou das formalidades para o transladar para os EUA.

Olá companheiros,
Tenho seguido intensamente a vossa preparação para cume, lá para 14... 15?
Quando subirem poderão sentir-se mais fortes que nunca... somos nós a puxar por vocês daqui do nosso cantinho.
Forte abraço e Bjs
Ricardo Sá e Inês
JOÃO GARCIA – É difícil. Penso que antes de 20 será complicado. Lá para 20, 22... Tem nevado muito em altitude e é preciso esperar que as condições melhorem. A neve vai demorar uma semaninha a acamar.

Gasherbrum I... Evereste... Para quando podemos esperar ver uma bandeira portuguesa no cume do K2?
Nuno Mendes
JOÃO GARCIA - Em princípio, está agendado para 2005, se arranjarmos financiamento. A questão agora é quem irá ao K2. O que dava maior prazer era ter a equipa que fez o Pumori, o Amadablam e este ano o Lhotse... Já estamos reduzidos a dois por razões

Ao ler o teu diário reparei que foste a uma cerimónia religiosa. Tu és crente em alguma religião?
Costumas orar quando vais para a montanha?
Raul Sousa
JOÃO GARCIA – Não, não sou crente. Mas fui criado numa família católica e acredito que, lá em casa, há muita gente a rezar por mim.

Oi,como vão?
Mando este mail da Suíça, os meus parabéns por estarem onde estão. Qual e a rota que vão seguir? Sou um louco por alpinismo e escalada e tiro o meu chapéu por estarem no Lhotse. Os meus sinceros desejos do vosso sucesso. Se puderem, mandem notícias. Um abraço e força nessas pernas e nada de cigarrinhos lá em cima.
Pedro Guimarães
JOÃO GARCIA – A nossa rota segue a via normal, pela cascata de gelo do glaciar de Khumbu, Western Cwm e face Oeste do Lhotse.

João Garcia
Conheci-o quando era(mos) adolescente(s)e íamos passar férias ao Painho, de onde sou natural.
Sou uma apaixonada pelos seus diários de "aventuras em altitude". Adorei, (mesmo!) ver os vídeos que estão a fazer. Continuem a enviar coisas desse outro mundo que só podemos "ver" através da vossa audácia. Parabéns por mais esta iniciativa!... Já agora uma pergunta, que é feito da Montagnes du Monde?
Boa sorte!
Maria Alzira Fernandes
JOÃO GARCIA – Por razões legais, a agência Montagnes do Monde foi extinta em 2000. [Após a morte, em 1999, de Pascal Debrouwer no Evereste]

Bom dia João,
Como está?
Antes de mais gostaria de lhe dar os parabéns pelos seus feitos. Como descreve chegar ao topo de uma montanha e olhar ao seu redor? O que sente? O que vê? Com quem gostaria de partilhar esses momentos? Um grande abraço e que continue e fazer o que mais gosta.
António Pedro
JOÃO GARCIA – Quando chego a um cume estou, invariavelmente, muito cansado. Gosto de partilhar com todos os portugueses, principalmente quando escalo uma montanha onde nunca foi hasteada a bandeira nacional. Na verdade, o cume nunca é momento de alegrias, sentimo-lo como um ponto intermédio, ainda falta regressar. Só de volta ao campo base é que podemos dar largas à sensação de missão cumprida.