Um Final Feliz
Quinta-feira, 3 de Março de 2005
Por: Ana Filipa Gaspar

22 filmes, 20 anos da história do cinema Na descoberta dos anos dourados de Hollywood, encontrámos histórias de amor, aventuras fantásticas, "thrillers" sombrios, comédias hilariantes e dramas pessoais. Hoje (03 de Março de 2005), dizemos adeus ao passado.

Os Clássicos Público chegam ao fim. Durante duas décadas do melhor cinema norte-americano, acompanhámos a fantástica transformação de Irena Dubrovna (Simone Simon) num perigoso felino em "A Pantera" (1943), de Jacques Tourneur. Regressámos com o mesmo realizador ao passado sombrio de Jeff Markham (Robert Mitchum) no "film noir" "O Arrependido" (1947). Rimos às gargalhadas com o humor "nonsense" dos irmãos Marx, dirigidos por William A. Steiter em "Um Criado ao Seu Dispor" (1938). Assistimos aos lendários passos-dança de Don Lockwood (Gene Kelly) no musical "Serenata à Chuva" (1952), de Stanley Donen e do próprio Kelly. No final, despedimonos com "Macau" (1952), de Josef von Sternberg, uma aventura que combina o ambiente sombrio da corrupção e do crime com o exótico Oriente.

"Nunca participei ou fui membro de nenhum grupo social em particular, mas fui privilegiado por fazer parte da época mais gloriosa de Hollywood", afirmou Cary Grant ao receber o Óscar honorário da Academia, em 1970. Tal como Grant, nos "anos dourados" encontrámos os melhores realizadores da história do cinema, desde Alfred Hitchcock a John Ford e verdadeiros mitos como Katharine Hepburn, Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, John Wayne, Henry Fonda, Fred Astaire, Ginger Rogers ou os irmãos Marx.

Uma viagem de 1933 a 1953

No início da década de 30, um gorila gigante escalou o Empire State Building, agarrando na mão a "scream queen" Fay Wray. "King Kong", de Merian C. Cooper e Ernest B. Shoedsack, foi um sucesso comercial e ficou para sempre na memória colectiva dos amantes do cinema. "A oitava maravilha do mundo" abandonou o seu habitat natural, a desconhecida "Skull Island", e partiu para Nova Iorque, onde gerou terror e pânico. A conduzir o gigantesco monstro, estava o realizador Carl Denham (Robert Armstrong), que queria tornálo uma atracção inédita.

Em 1941, Orson Welles realizou "O Mundo a Seus Pés" - a sua estreia e o auge da sua liberdade criativa. Nele, Charles Foster Kane (Orson Welles) é um homem poderoso, "o maior magnata de todos os tempos", que controla os meios de comunicação social -, retrato do grande patrão da imprensa da época, William Hearst. Com esta obra-prima, Welles tornou-se, aos 26 anos, um dos melhores realizadores do mundo.

No ano seguinte, Michael Curtiz convidou Humphrey Bogart e Ingrid Bergman para viverem uma lendária história de amor. Em "Casablanca", Rick (Bogart) e Ilsa (Bergman) são atormentados pela memória de uma paixão vivida em Paris e ao som de "As Time Goes By" regressam nostalgicamente ao passado. Este filme é a prova de que um projecto com custos reduzidos pode tornar-se grandioso. Além de inesquecível, "Casablanca" foi distinguido com três Óscares - entre os quais os de Melhor Filme e de Melhor Realizador.

Em 1948, surgiu "Forte Apache", um "western" que marcou o regresso de John Ford às grandes batalhas entre soldados e índios, com Henry Fonda e John Wayne nos principais papéis. Conta a história do tenente-coronel Owen Thursday (Fonda), que é enviado numa missão para o enclave fronteiriço Forte Apache, onde encontra o sensato capitão Kirby York (Wayne). Ford começou assim uma trilogia em homenagem à Cavalaria dos Estados Unidos, que continuou com outro Clássico Público, "Os Dominadores" (1949), e terminou com "Rio Grande" (1950).

Ginger Rogers, que se reuniu ao seu eterno par, Fred Astaire, em "Chapéu Alto" (1935), disse estar "agradecida por ter vivido um período tão divertido na história dos filmes". Foi realmente a época dourada de Hollywood, onde o som, a música e a cor inundaram o grande ecrã. A magia da Sétima Arte alcançou o seu expoente máximo nestas décadas, conduzida pelo olhar de inúmeros génios, entre os quais Howard Hawks, Nicholas Ray ou George Cukor.


 
"O Mundo a Seus Pés"
DE ORSON WELLES

"Um clássico que revolucionou a indústria artística, nos seus reflexos de testemunho e de onirismo. A partir dele, nada se adiantou - sobre os desígnios do poder, a influencia dos meios de comunicaçao, a vagabundagem visionária, os mistérios e os fantasmas da infância..."
"As Duas Feras"
DE HOWARD HAWKS

"O exemplo perfeito das 'screwball comedies', num requinte de ambiguidades morais e sexuais. Um prodígio quanto a narrativa e ao diálogo, ao tempo de acçao, aos efeitos de surpresa, ao absurdo dos artifícios, ao carisma extravagante dos intérpretes."
"Os Dominadores"
DE JOHN FORD

"Uma vibrante celebraçao da saga 'western', tendo John Wayne num dos seus mais formidáveis desempenhos, com a fenomenal reavaliaçao de Ford, em que ao envolvimento de massas se recorta, afinal, o vulto solitário dos protagonistas."
"King Kong"
DE MERIAN C. COOPER E
ERNEST B. SCHOEDSACK


"Épico do terror-fantástico, e um dos clássicos primordiais de culto, mantém um sortilégio essencial: em magia, exotismo, aventura, 'suspense', pulsao erótica em que se transcende o mito entre a bela e o monstro. Eis o espectáculo virtual por excelencia."