Eleições presidenciais 2011

O candidato do milhão de votos

10.01.2011 - 21:55 Por Raposo Antunes

  • 1 de 1 notícias em Análises
Todos sabem que a mesma água nunca passa duas vezes por baixo da mesma ponte. Há cinco anos, Manuel Alegre, sem o apoio do PS, partido de que é um histórico militante, conseguiu encontrar espaço político para reunir um milhão de votos nas eleições presidenciais.
Adriano Miranda Alegre em campanha, acompanhado por Francisco Louçã Alegre em campanha, acompanhado por Francisco Louçã

Não tinha compromissos com ninguém e o seu discurso contra a corrente recolheu não só o apoio do Bloco de Esquerda como de outros sectores da esquerda, e provavelmente até de muitos militantes do próprio PS, que então apoiava Mário Soares.

Manuel Alegre surge agora como um candidato acorrentado – ao seu partido e ao Bloco de Esquerda, um dos principais opositores do seu PS. Encontrar um discurso adequado e que não zangue nenhum dos parceiros não é, assim, uma tarefa fácil para Manuel Alegre – não há muito mais do que a defesa do serviço de saúde público e da escola pública, que Alegre vem repetindo há meses.

Mas quando entrou mesmo na campanha, o candidato apoiado pelo PS e pelo BE preferiu entrar noutro terreno de jogo, tentando atingir com alguns estilhaços Cavaco Silva. Primeiro com o caso BPN. Agora com o episódio da vigilância a Belém.

No fundo, Alegre parece querer atacar mais o actual presidente em questões de carácter pessoal do que com argumentos políticos. Uma linha de ataque que não agrada ao próprio PS, até porque se enquadra naquilo que o próprio líder do partido chamou “assassinatos de carácter”.

Que, como se sabe, não renderam muito à oposição no passado – Sócrates perdeu a maioria, mas foi reeleito. E poderão também não render ao candidato do milhão de votos.

  • 102 leitores
  • 1 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1474566

Comentário + votado

PUB