Colecção Privada
O director do Museu do Chiado elege esta pintura de Rothko, uma das primeiras da fase que o artista dedicou às formas rectangulares e aos campos cromáticos intensos O que é o Expressionismo Abstracto? O pintor William Steitz definiu assim este movimento artístico: "Valorizam a expressão mais do que a perfeição, a vitalidade mais do que o acabamento, a flutuação mais do que o repouso, o desconhecido mais do que o conhecido, o velado mais do que o claro, o individual mais do que o social, e o interior mais do que o exterior." Foi a esta corrente - que emergiu na cena artística nova-iorquina depois da Segunda Guerra - que se "associou" o pintor Mark Rothko a par de nomes como Jackson Pollock, Willem de Kooning, Franz Kline ou Clifford Still. "Ao contrário das primeiras vanguardas do século XX, cujas abstracções privilegiaram dimensões mecanicistas, estes artistas reivindicaram uma relação estrita entre a pintura e o valor absoluto do acto criativo", explica o director do Museu do Chiado, Pedro Lapa. Ou seja, com Rothko, diz Lapa, a pintura "tornou-se essa tentativa de tornar presente o desmedido das emoções, na origem de qualquer obra - daí que a comunicação desta com o observador fosse entendida como um acto de empatia que os tradicionais conceitos ou categorias não poderiam abarcar". "Sem Título (Violeta, Preto, Laranja, Amarelo sobre Branco e Vermelho)", obra de 1949, é "uma das primeiras obras da fase que consagrará os propósitos do artista" - é a escolha de Lapa para quadro da semana. A pintura pode caracterizar-se, diz, "pelo recurso a formas rectangulares expandidas na horizontal, que dividem a superfície da tela em diversos campos cromáticos profundamente intensos". Dá-se então a explosão da cor: "Pintados por uma fina camada de óleo, os limites são indefinidos, por vezes, misturando-se com os de um outro campo de cor que modula e intensifica o timbre cromático para um valor absoluto, como acontece com os limites do rectângulo violeta, ao encontrarem o branco que lhe serve de moldura, ou com a fusão entre o amarelo e o laranja." Palavras-chave: intensidade, limites indefinidos, mistura, fusão. Contudo, o encontro desses campos de cor "nunca é total" - "o fundo da tela transparece e irradia uma súbita luminosidade". E a faixa negra, a meia altura, "tem aqui um valor ambíguo", que Lapa considera "um dos aspectos mais significativos da pintura de Rothko". Porquê? "Ela é uma presença negativa, pura ameaça da cor e da luminosidade que irradiam na pintura. Mas é também a suspensão que anuncia na iminência do vazio a possibilidade da própria cor." Neste quadro (como em inúmeras obras do artista norte-americano) valoriza-se o momento, a força emocional da cor pura. E "nunca o instante originário do gesto pictórico fora tão valorizado em toda a história da pintura", como no Expressionismo Abstracto, explica Lapa. |
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