Colecção Privada
O quadro da semana - Les Demoiselles d'Avignon
Por Raquel Ribeiro
“Les Demoiselles d'Avignon”, 1907. Óleo sobre tela, 243,9cm x 233,7cm. Museum of Modern Art , Nova Ior “Les Demoiselles d'Avignon” de Picasso é a obra escolhida por Maria Nobre Franco, directora do Sintra Museu de Arte Moderna- Colecção Berardo. A obra estará “em exposição” amanhã no livro “Picasso”, o primeiro volume da colecção privada do PÚBLICO
A Colecção Privada do PÚBLICO começa amanhã com o primeiro de 12 volumes dedicado a Pablo Picasso. Pedimos à directora do Sintra Museu de Arte Moderna-Colecção Berardo, um dos raros museus em Portugal que têm um quadro de Picasso no seu acervo, para escolher o seu quadro preferido do artista. Maria Nobre Franco escolheu “Les Demoiselles d'Avignon”, pintado em 1907, e que hoje está no Museum of Modern Art de Nova Iorque.
“Pintura é liberdade”, uma frase de Picasso, serve para a directora da Colecção Berardo explicar que esta é uma atitude “presente em toda a obra” do pintor espanhol, de que “Les Demoiselles d'Avignon” é um exemplo.
“O quadro representa cinco mulheres com um cesto de fruta. A grande plasticidade expressa pela composição do desenho, no fundo vazio, parece opor-se às geometrias volumétricas dos corpos e cabeças, e à componente expressionista das figuras laterais, vincadas de ‘negritude'”, explica Maria Nobre Franco. Este quadro “é um marco na história de arte do século XX, do início do movimento cubista”.
A esse respeito, escreveu Picasso: “Nas ‘Demoseilles d'Avignon' pintei um nariz de perfil num rosto de frente. Tinha de o pintar atravessado, para o denominar, para lhe poder chamar ‘nariz'. Em consequência disto, começaram a falar de arte negróide. Já alguma vez viu uma escultura de negros, uma única que fosse, com um nariz de perfil numa máscara de frente?” (Picasso “dixit”, in “Picasso”, pág 37, livro Taschen/PÚBLICO).
“Obra incompleta?”, pergunta Maria Nobre Franco. “Em 1907, a reacção do público foi de rejeição. Percursora de novos princípios artísticos, abriu caminhos, ganhou adeptos, admiradores e apaixonados, foi tema de teses, ensaios, livros. Fascinante e misteriosa, espera-nos em Nova Iorque, no MoMA.”
Há poucos quadros de Picasso em Portugal. “Femme dans un fauteuil”, de 1929, é um deles e pertence à Colecção Berardo. Está actualmente em exibição na exposição “Corpus”, no Centro Cultural de Belém em Lisboa.
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