Prémios PÚBLICO//Gradiva
25 de Outubro de 2002

José Bento Ayres Pereira e Diogo de Oliveira e Silva foram os alunos premiados pelos seus trabalhos a Matemática e Física

 

O ministro da Educação, David Justino, disse estar feliz por hoje serem os alunos “a cara da notícia e não o ministro, os sindicatos ou outros interlocutores que aparecem quase todas as semanas”. E a notícia é mesmo esta: José Bento Ayres Pereira, ex-aluno do Colégio Cedros, em Vila Nova de Gaia, e Diogo de Oliveira e Silva, ex-aluno da Escola Secundária Augusto Gomes, em Matosinhos, foram os vencedores da 2ª edição dos prémios PÚBLICO/Gradiva que, com o apoio das sociedades portuguesas de Matemática e de Física e da BP, distinguem trabalhos originais nestas duas áreas. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu ontem no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

O concurso destinava-se aos alunos de Física e de Matemática que terminaram o ensino secundário com média igual ou superior a 18 valores. Os premiados de ontem não só o conseguiram como apresentaram, na opinião “muito difícil” do júri, os melhores trabalhos. “Sólidos de Pascal e Combinações Generalizadas” valeu a José Ayres Pereira o prémio Bento de Jesus Caraça, na área da Matemática; “Cordas, Cabos e Outros Objectos Dependurados” deu a Diogo de Oliveira e Silva o prémio Mário Silva, no campo da Física. Cada um recebeu um cheque no valor de três mil euros e a oportunidade de terem visto o seu esforço publicamente reconhecido e elogiado pelos ministros da Educação e da Ciência e do Ensino Superior — “hoje, num tempo tão ocupado, a nossa prioridade é para vocês”, sublinhou Pedro Lynce durante a cerimónia —, e por uma plateia de professores, familiares e colegas.

Os respectivos professores e escolas foram também premiados com uma colecção de livros de ciência e um pacote de material didáctico no valor de 2500 euros. Receberam ainda menção honrosa a Física os alunos André Delgado Martins Dias, do Colégio Manuel Bernardes, Lisboa e José Ayres Pereira, que conseguiu a proeza de acumular a distinção com o 1º prémio de Matemática. A Matemática receberam menção honrosa Diogo Luís Ezequiel, da Escola Técnica e Liceal Salesiana Sto. António (Estoril), Fábio Diales da Rocha, da Escola Secundária Carlos Amarante (Braga) e Vasco Hugo Vinhas Gonçalves Moreira, do Colégio Liverpool (Porto).

Este concurso, que visa contribuir para a melhoria do ensino de duas áreas “malquistas” no ensino português, vem demonstrar também que “os bons alunos e as boas escolas não são exclusivo das zonas mais ricas do país”, frisou o director do PÚBLICO José Manuel Fernandes, referindo-se ao facto de os trabalhos terem chegado de todo o lado, de escolas públicas e privadas.

 

Pouco tempo para estudar
 
Gosta de levar os amigos lá para casa para fazerem observações astronómicas num “pequeno microscópio”, está a tirar um curso de japonês e outro de fotografia, pratica ténis e só não se envolve em mais projectos porque não pode. Por isso, só estuda “o essencial”. Diogo Gaspar Teixeira de Oliveira e Silva, 19 anos, venceu o Prémio de Física Mário Silva, com um trabalho intitulado “Cordas, Cabos e Outros Objectos Dependurados“. “É uma tentativa de verificar qual é a forma de um cabo suspenso, é um problema de estática”, diz. “Há alguns anos, deparei-me com um problema semelhante e não consegui resolvê-lo. Era uma pedra no sapato.” Quando concluiu o 12º ano, na secundária Augusto Gomes, no Porto — 19,5 valores foi a nota mais baixa que teve nos exames nacionais —, decidiu concorrer aos prémios PÚBLICO/Gradiva. “O trabalho propriamente dito foi feito em quatro tardes.” Actualmente, frequenta o 1º ano de Matemática, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, depois de no ano passado ter experimentado Engenharia Electrotécnica, na Faculdade de Engenharia. A.S.

 

Uma ideia que surgiu no autocarro
 
Tem 19 anos e diz que todo o seu tempo “está cronometrado”, que “não há buracos nem espaços livres”. José Bento Ayres Pereira está habituado a esforçar-se, a estudar “bastante”, talvez três, quatro horas por dia, arrisca. E o resultado são notas brilhantes, “não há milagres” para os bons resultados, acredita. No seu caso, dois 20 nos exames nacionais de Matemática e de Física. Quando não está a estudar, senta-se à frente do computador a trabalhar em programas. Foi numa viagem de autocarro que teve a ideia para o trabalho “Sólidos de Pascal e Combinações Generalizadas”, com que ganhou o Prémio de Matemática PÚBLICO/ Gradiva. “Apontei-a no caderninho que aqui tenho, e não pensei muito mais nisso. Depois o professor de Matemática do colégio [Cedros, no Porto] insistiu para que eu apresentasse um trabalho e pronto.” Nas férias do 1º para o 2º semestre, já na faculdade “fiquei com um mês livre para me dedicar ao projecto”. Hoje, frequenta o 2º ano de Electrotécnica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. A.S.

 

 

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