Parar. Não fazer
nada não deve ser confundido com uma total ausência de actividade.
Não fazer nada é, de facto, realizar qualquer coisa muito
importante. É deixar a vida acontecer. A vida de cada um, leia-se. Deixar a vida acontecer é,
por vezes, a única alternativa que nos resta. Quando já
tentámos tudo de muitas maneiras diferentes e quase sempre num
ritmo vertiginoso e, mesmo assim, não conseguimos encontrar uma
resposta para os nossos dilemas, a solução é mesmo
parar. Só parando seremos capazes de continuar. Não existe
possibilidade de evolução se não soubermos fazer
pausas, se não criarmos um tempo e um espaço entre os acontecimentos. A verdadeira razão para parar é
poder prosseguir o caminho. Na maior parte dos casos não paramos
até nos sentirmos exaustos e quase vencidos, sem saber para onde
nos havemos de virar. O erro é clássico e crónico,
aliás. O autor é muito eloquente neste
seu livro e diz que abrandar não basta. É bom que aconteça
e, por vezes, revela-se regenerador. Mas não é suficiente.
Tudo à nossa volta se desloca a grande velocidade e, também
por isso, somos obrigados a fazer paragens. Tentar abrandar não
nos faz realmente desacelerar. Pior, muitas vezes cria a ilusão
de que estamos parados sem, na realidade, estarmos. Texto Laurinda Alves O autor e o livro David Kundtz fala em três tipos de tempos de paragem e é interessante verificar como uns são tão diferentes dos outros. Três formas de pararAs pausas. Podemos defini-las como compassos de tempo momentâneos e frequentes no dia-a-dia. Uma pausa consiste em parar rapidamente e não fazer nada num curto espaço de tempo. Pode ser uma respiração funda ou um simples fechar de olhos. Uma vez que se trata de interrupções breves, podemos fazê-las em qualquer ocasião, todas as vezes que forem precisas. Aliás, podemos e devemos fazer muitas pausas ao longo do dia, pois têm um efeito catártico imediato. A grande vantagem é poder incorporá-las na nossa vida sem quebras aparentes e sem rupturas. Fazem-nos bem e os outros nem notam. Os intervalos. Menos frequentes que as pausas, são espaços de tempo que podem ir de meia hora a vários dias. Pode ser uma sesta, pode ser ficar muito quietos num lugar a sós ou, até, um tempo que passamos com outros mas em descontração. Mais do que as pausas, os intervalos são um desafio real para a maioria das pessoas por serem momentos mais prolongados em que não fazem nada. Os intervalos ajudam-nos a perspectivar o que nos preocupa, a descomprimir e a fazer ligeiros ajustes na maneira como vivemos a vida. Os intervalos permitem uma orientação. As paragens. De uma forma geral, uma paragem assinala uma transição ou decisão significativa na vida. Pode ser uma mudança radical de rumo ou apenas uma paragem para prosseguir no mesmo caminho, mas, na verdade, uma paragem implica sempre um crescimento interior com efeitos profundos e duradouros. Muitas vezes as paragens são entendidas como crises, mas não é apenas disso que se trata. Algumas podem implicar dor, pesar ou problemas maiores, mas, mesmo assim, parar é sempre um sinal de força e coragem. Como parecem assustadoras, muitos preferem não fazer paragens na vida, mas é um erro crasso. Dizem os especialistas e, de uma forma muito eloquente, David Kundtz, o autor.
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