Colecção ABCedário - Aos Domingos por 4,90 € + jornal
 
 

 

O Judaísmo
Série Religião
 

    

 

Com a qualidade e prestígio a que as edições Flammarion nos habituaram, o PÚBLICO iniciou a 16 de Março uma pequena enciclopédia organizada de forma alfabética, antecedida por uma introdução de 20 páginas. Páginas duplas para os temas mais importantes e essenciais à compreensão do tema, pequenas notas para os assuntos mais técnicos ou anedóticos: no “ABCedário do Renascimento Italiano”, o segundo livro da série, fala-se de Donatello a Miguel Ângelo, de Maquiavel a Leonardo, de Piero della Francesca a Boticelli, figuras de um movimento que mudou a arte e a ciência e se iniciou, simbolicamente, em 1401 em Florença. A aproximação a cada tema, com um grafismo elegante e explorando fortemente a iconografia, faz-se sempre de modo triplo: científica, prática e cultural. Um asterisco assinala as remissões, conduzindo o leitor de entrada em entrada. A colecção é escrita por especialista reputados — historiadores de arte e da literatura, conservadores de museu, arqueólogos, astrofísicos, geógrafos, etnobotânicos, etc. — que asseguram a qualidade e o rigor dos textos. Uma cronologia, um índice e uma bibliografia seleccionada completam o livro, cujo tamanho permite também a sua utilização como guia num passeio ou em viagem.
Os livros estarão nas bancas a partir de sábado e poderão ser comprados com qualquer edição seguinte do jornal a 4,9 € jornal.

 

ABCedário do Judaísmo
A revolução do Deus único

Coloque um quadrado de chocolate, qualquer chocolate, preto, leite, branco, com frutos secos, na boca. Deixe-o derreter, desfazer- se. Vá sentido a consistência, o sabor, o prazer único, exclusivo, requintado, sofisticado até, que privilegia quem o come. E prepare-se para entrar no mundo, feito de fantasia e também de muito suor e engenho, que está para lá do prazer de degustar o "ouro castanho" e que lhe é revelado pelo "Abcedário do Chocolate", que o PÚBLICO edita no próximo domingo. Quando o conquistador espanhol Cortez é confundido pelo imperador azteca Moctezuma com o Deus Quetzalcoatl, cuja vinda à terra os oráculos tinham previsto para esse momento, não sabia Moctezuma que o pseudo-Deus levaria ao fim da cultura azteca. Mas também não sabia Cortez que as favas de cacaueiro que serviam de moeda entre os aztecas, bem como de bebida dos deuses, elites e povo, e que trouxe consigo no regresso a Espanha, iam ter um tal impacto cultura na Europa. Europeizado, ou seja, adocicado com cana de açúcar e perfumado com baunilha, logo no século XVI, pela arte de frades que colonizaram a América Central, o cacau batido com água substituiu o vinho entre os colonos. Na Europa, espalha-se a partir do século XVI e o seu consumo terapêutico - as primeiras chocolatarias estão associadas a farmácias e o cacau é visto como um fortificante desde sempre - passa a ser também lúdico. A bebida de cacau é solidificada em Inglaterra e passa a ser vendida em rolos e em pastilhas, a partir de 1674. É também em Inglaterra que se dá a industrialização do fabrico de chocolate, no século XIX, e a democratização do seu consumo, no início do século XX. Feito a partir das favas de três tipos de cacaueiro, cujo fruto, a cabossa - assim chamada a partir da palavra cabeça em castelhano -, varia no tamanho - "criollo", mais frágil, "forastero", o mais forte, e o "trinitario", conseguido a partir dos outros dois -, o cacau está quotado na bolsa. Pelo caminho dos séculos, foi-se desenvolvendo toda uma indústria e uma arte, que passam pela criação do "praliné" pelo belga Jean Neuhaus, pelo cacau em pó e pela manteiga de cacau extraídos pelo holandês Van Houten, pelo chocolate de lei criado pelo suíço Daniel Peter, e o "fondant" criado por outro suíço, Daniel Lindt. Hoje em dia já se sabe que não é afrodisíaco, como os aztecas pensavam, assim como também é dado como certo que não é um vício. E até já se adaptou às regras de saúde pública, com a proliferação do fabrico de chocolates com frutose para poderem ser consumidos por diabéticos. Mas o prazer de saborear um pedaço de chocolate continua inteiro, completo, total. Como no primeiro dia.

 

Sabia que...
 

- Abraão deve ter vivido entre 2000 e 1800 a.E.C. A Bíblia judaica compreende a Tora (os cinco primeiros livros, onde se contam as histórias fundadoras do judaísmo e se enunciam as normas de organização político-religiosa), os Profetas (que contam a história dos reinos de Israel e de Judá, e do exílio na Babilónia) e os Hagiógrafos, textos sapienciais e de espiritualidade.

- A Arca da Aliança guardava as tábuas recebidas por Moisés no Monte Sinai (cuja localização exacta não é conhecida), onde Deus gravara os dez mandamentos.

- Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos por acaso por um beduíno em 1947, incluem muitos fragmentos de vários livros da Bíblia judaica.

- O Primeiro Templo de Jerusalém foi construído por Salomão e destruído por Nabucodonosor (em 586 a.E.C.). O segundo Templo foi erguido por Herodes, “o Grande” (entre os anos 15 e 7 a.E.C.) e arrasado na sequência da rebelião contra Roma, no ano 70 da nossa era.



 
 

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