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Um cenário irreversível de secas e subidas do nível do mar para os próximos mil anos

Ana Gerschenfeld, 27 de Janeiro de 2009

Os níveis de dióxido de carbono deverão permanecer elevados na atmosfera durante muito mais tempo do que os dos outros gases de estufa
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Jornalistas acompanham o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esta manhã na conferência de Copenhaga. Os líderes mundiais tentam romper o impasse, a escassas horas do encerramento do encontro. Foto: Ints Kalnins/Reuters

Vários países já disseram o que estão dispostos a fazer para combater as alterações climáticas
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O cenário assustador já é bem conhecido: tempestades mais violentas, secas mais pronunciadas, subida das águas dos oceanos, degelo dos glaciares e da Antárctida. Tudo por causa do aquecimento global. Mas há outra novidade: mesmo que, ao longo das próximas décadas, todos os países do mundo consigam controlar as suas emissões de gases, o efeito de estufa, esse, não desaparece logo. Está cá para ficar por muitos séculos, dizem Susan Solomon, da National Atmospheric and Oceanic Administration norte-americana, e colegas de Suíça e França, num estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Os níveis de dióxido de carbono deverão permanecer elevados na atmosfera durante muito mais tempo do que os dos outros gases de estufa.

Isso não significa de forma alguma que os líderes mundiais devam desistir dos esforços de redução das emissões; torna-os ainda mais urgentes. “Penso que devemos encarar esta coisa mais como o lixo nuclear do que como as chuvas ácidas”, disse Solomon numa conferência de imprensa referida pelo jornal Washington Post. “Quanto mais [CO2] acrescentarmos, pior será. Quanto mais demorarmos a tomar decisões, mais irreversível será a mudança climática.”

“O nosso artigo mostra”, escrevem os cientistas na PNAS, “que as alterações climáticas que estão a ter lugar devido à crescente concentração de dióxido de carbono serão quase irreversíveis nos mil anos após a interrupção das emissões.” Isso porque, mesmo que as emissões parassem, as temperaturas diminuiriam muito paulatinamente porque os oceanos continuariam a libertar calor.

Um exemplo do impacto: se a concentração média de CO2 atmosférico (que é hoje de 385 ppmv, partes por milhão por volume) aumentar para 450 a 600 ppmv ao longo deste século, ocorrerão secas irreversíveis e uma subida inexorável do nível dos oceanos. Números muito plausíveis, uma vez que as projecções apontam para 550 ppmv de CO2 já em 2035 e que a meta estabelecida pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é de estabilizar esses níveis em 450 ppmv.

Se os valores forem mais próximos de 600 ppmv, o sudoeste dos EUA, o Mediterrâneo e o Norte de África vão sofrer secas tão severas como as que assolaram as grandes planícies norte-americanas (o chamado Dust Bowl) nos anos 1930. Mesmo que sejam menores, as regiões subtropicais sofrerão secas irreversíveis. Quanto ao nível dos oceanos, poderá subir um metro ou mais até ao ano 3000 – e a equação não inclui o degelo dos glaciares e das regiões polares, apenas toma em conta a expansão térmica das águas.

“Os políticos costumam focar-se mais nos impactos mais incertos, mas potencialmente desastrosos, das alterações climáticas”, disse ainda Solomon. “Deveriam concentrar-se mais nas suas consequências mais previsíveis.”




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