Poemas de infância, de amor e de confidências já maduras.
A série Os Poemas da Minha Vida volta a ser editada pelo PÚBLICO, agora numa versão mais alargada. Além de Mário Soares, Miguel Veiga, Freitas do Amaral e Urbano Tavares Rodrigues, outras personalidades conhecidas foram convidadas a partilhar os versos que mais os marcaram. É esse o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Graça Moura, António Lobo Xavier ou Maria Barroso.
Colecção à venda nas lojas PÚBLICO
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| Poemas já publicados |
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14 de Maio
Mário Soares
“Não tenho a pretensão de pensar que, por amor dos poemas seleccionados, possa passar por entendido em poesia”
Amigo de poetas e frequentador de tertúlias, Mário Soares acredita que a poesia é “o veio mais rico, original e fecundo da literatura portuguesa”. Como seleccionar, então, os poemas que mais o marcaram? É possível reunir todos os poemas da vida de uma pessoa num só volume? Para o ex-Presidente da República e estadista faltam muitos poemas nesta sua “antologia”. Optou pelos versos que mais lhe ficaram na memória. “Não tenho a pretensão de pensar que, por amor deles [os poemas seleccionados], possa passar por entendido em poesia. Não sou. Sou apenas um apaixonado por alguma poesia: a que escolhi e muita outra que não pude seleccionar por falta de espaço. Na minha idade, já não estou em tempo de me enfeitar com penas de pavão...” |
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21 de Maio
Miguel Veiga
“Enquanto outros trazem cruzes e medalhas ao pescoço, eu trago sempre um poema no bolso”
“Com o correr dos anos a poesia foi-se-me tornando tão necessária como o pão de cada dia para a boca”, conta o advogado e jurista portuense Miguel Veiga. Por isso, “enquanto outros trazem cruzes e medalhas ao pescoço, eu trago sempre um poema no bolso”. Para traduzir a relação especial que mantém com a poesia, o histórico membro do PPD/PSD cita ainda Baudelaire, em L’Art Romantique : “Todo o homem saudável pode privar-se de comer durante dois dias – de poesia nunca!” E, assim, na sua selecção poética diz ter inscrito “alguns, poucos, dos muitos, muitíssimos poemas da minha pessoal devoção e da minha particular decantação”. |
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28 de Maio
Diogo Freitas do Amaral
Procurou escolher apenas as poesias de que mais gosta, aquelas que o fazem pensar, sentir ou vibrar
Não teve qualquer preocupação em seleccionar “os melhores poemas, ou os mais representativos, ou os mais louvados pelos especialistas”. O actual ministro dos Negócios Estrangeiros interpretou à letra o mote desta colecção e procurou escolher apenas as poesias de que mais gosta, aquelas que o fazem pensar, sentir ou vibrar. Neste “livro antológico de poemas alheios”, pode assim conhecerse a intimidade de Freitas do Amaral nos versos de escritores tão diferentes como Camões, Sá de Miranda, Florbela Espanca, Alexandre O’Neill, Walt Whitman ou Paul Géraldy. |
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4 de Junho
UrbanoTavares Rodrigues
“Estes não são, no entanto, todos os poemas da minha vida”
Ao apresentar a sua antologia, Urbano Tavares Rodrigues esclarece que este livro “é, de certo modo, um espelho da cultura e do vivido de quem o organizou”. “Estes não são, no entanto, todos os poemas da minha vida”, acrescenta o escritor e crítico literário, “mas sobretudo os que, em vários períodos da existência, me marcaram por diversas razões, de ordem afectiva, cultural ou mesmo política”. Natural de Lisboa, onde nasceu em 1923, Urbano Tavares Rodrigues incluiu em Os Poemas da Minha Vida os poetas portugueses da sua preferência (Camões, Antero de Quental, Cesário Verde, António Nobre) e os seus “ídolos universais” (Baudelaire, Rimbaud, Lorca, Octávio Paz, Neruda). |
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11 de Junho
Marcelo Rebelo de Sousa
Uma escolha entre “o presente e o futuro”
Diz que este não é um volume com todos os poemas da sua vida, porque para quem “dobrou já o meio século não existem só quarenta, cinquenta ou sessenta poemas”. Na verdade, para o jurista, comentador e professor universitário Marcelo Rebelo de Sousa, “há muitos, muitos mais”. Optou, por isso, por escolher apenas “poetas e poemas portugueses contemporâneos”. Ao todo, são mais de cinquenta. Uma escolha que considera entre “o presente e o futuro”: “É o meu modo de ser. Por que haveria de ser, agora, diferente, ao desvendar-vos alguns dos muitos poemas que fazem parte da minha vida?” |
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18 de Junho
Maria Alzira Seixo
“Cada um de nós é decerto poeta, à sua maneira, até mesmo sem escrever”
“Os poemas que me marcaram, ao longo da vida, têm andado sempre comigo, sem antes nem depois”, explica Maria Alzira Seixo. Natural do Barreiro, é professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, autora e editora de várias obras. Para esta antologia, seleccionou apenas poemas em língua portuguesa porque, confessa, “se de outras literaturas me ocupasse, não sei de quantos volumes necessitaria”. O seu principal objectivo é “comunicar com o leitor”. “Cada um de nós é decerto poeta, à sua maneira, até mesmo sem escrever.” |
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25 de Junho
António Lobo Xavier
Deixou-se fascinar pelos “saborosos romances tradicionais”, e descobriu os dois volumes de Poesia de Sempre
Quando era criança, o pai oferecia-lhe uma “moeda de 25 tostões” em troca de recitar “sem hesitações um poema previamente combinado”. O “prémio” tinha um objectivo: fazer nascer o interesse do militante do CDS/PP António Lobo Xavier pela poesia. Assim foi. Ainda jovem, deixou-se fascinar pelos “saborosos romances tradicionais”, como a Nau Catrineta ou o Dom Beltrão , e descobriu os dois volumes de Poesia de Sempre (Livraria Sampedro Editora), uma antologia para adolescentes organizada por Sophia de Mello Breyner Andresen e Alberto de Lacerda. Mais tarde, atreveu-se por outros autores e poesias, seguindo sempre a sua intuição e gosto pessoal. |
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2 de Julho
Vasco Graça Moura
Optou por poemas que lhe deixaram marcas “com alguma evidência de terem interferido” naquilo que é hoje
Depois de “lidos muitos milhares de versos”, o escritor e deputado europeu Vasco Graça Moura deu consigo a hesitar em dizer quais são os poemas da sua vida. Para ele, “a experiência de um leitor tem registos que se vão interpenetrando, critérios de apreciação que podem flutuar, memórias de fruição que podem, por sua vez, não coincidir com garantias de qualidade”. A escolha foi, por isso, muito difícil e levou-o a optar por poemas que, num determinado momento da vida, lhe desvendaram novos aspectos do mundo, da literatura ou de si próprio. Ou seja, que lhe deixaram marcas “com alguma evidência de terem interferido” naquilo que é hoje “como escritor”... |
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9 de Julho
Miguel Cadilhe
“Dos poemas que escolhi e do modo como os conjuguei transpira a minha vida, em distintos tempos”
O economista Miguel Cadilhe apresenta-se como “um não-poeta da poesia”. “Não a faço, não a sei fazer, não a quero fazer, apenas gosto dela, a poesia.” Ex-ministro das Finanças, social-democrata, e actualmente presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), Cadilhe optou por dividir o seu livro em três partes ( Tempos meus de partida , Tempos meus de chegada e Tempos do meu País ), relembrando poemas de Pessoa, Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, Almeida Garrett ou David Mourão-Ferreira. “Dos poemas que escolhi e do modo como os conjuguei transpira a minha vida, em distintos tempos”, justifica. |
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16 de Julho
Jerónimo de Sousa
“De fora ficaram poemas e poetas que estão no património da minha memória, que me ajudaram nas minhas opções”
Na vida do operário Jerónimo de Sousa, “a poesia foi (…) como que um andaime da (...) consciência e da sua evolução”. O actual secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) explica que “é injusto escolher só uns quantos poemas”. “De fora ficaram poemas e poetas que estão no património da minha memória, que me ajudaram na fábrica, na guerra, na minha luta, nas minhas opções.” Mas, apesar de ser uma “escolha injusta”, Jerónimo de Sousa ambiciona transformar o seu livro “numa homenagem mais larga à poesia e aos poetas” |
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23de Julho
Gil Moreira dos Santos
Uma selecção imediata com “muito de candura, amor incipiente ou gosto pela sátira”
Defende que “os poemas que se nos ‘colam’ no inconsciente e afloram ao consciente são aqueles que, em dado momento, se tornam nas ‘ovelhas’ que preocupam o ‘guardador de rebanhos’ que há em cada homem”. Para o advogado Gil Moreira dos Santos, os poemas da sua vida são, por isso, todos aqueles que recorda e cita sem necessitar de fazer qualquer esforço ou pesquisa. Uma selecção imediata, à qual não tem dúvidas de poder apontar-se “muito de candura, amor incipiente ou gosto pela sátira”. |
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30 de Julho
Maria Barroso
Na época de ditadura, foram os poetas e os poemas que “inspiraram ou iluminaram” a sua vida
“Muitas vezes, para exprimir os meus sentimentos, os meus estados de alma (…) me servia dos versos em que o poeta exprimia os seus próprios sentimentos e estados de alma correspondentes aos meus”, conta Maria Barroso. “E ainda hoje o faço.” O gosto pela poesia levou-a a frequentar o curso de Arte Dramática do Conservatório, onde aprendeu a trabalhar a “voz, a melhor entender ritmos e a perceber a (…) importância de certas expressões”. Na época de ditadura, foram os poetas e os poemas que “inspiraram ou iluminaram” a vida da ex-primeira dama e presidente da Fundação Pró Dignitate. |
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