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13 Junho 2026 - 09h08
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"Uma nova série com 9 livros, de 9 personalidades portuguesas, que nos apresentam os poemas que marcaram as suas vidas. Uma forma diferente de conhecer estas grandes personalidades portuguesas através da leitura dos poemas eleitos. Depois do sucesso da primeira série da colecção POEMAS DA MINHA VIDA, editada com o PÚBLICO em 2005, a seguda série será editada já a partir do próximo dia 2 de Novembro, e sempre à Quinta-feira. "

Todas as quintas-feiras com o PÚBLICO por mais 7,00 euros

 

Volume 13
Eunice Munoz
02 de Novembro

 

Volume 14
António Ramalho Eanes
09 de Novembro

 

Volume 15
Francisco Pinto Balsemão
16 de Novembro

 

Volume 16
Jorge Pinheiro
23 de Novembro

 

Volume 17
Carlos Carmo
30 de Novembro

 

Volume 18
Eduardo Lourenço
07 de Dezembro (*)

 

Volume 19
Luis Portela
14 de Dezembro (*)

 

Volume 20
José Casanova
21 de Dezembro (*)

 

Volume 21
Nuno Grande
28 de Dezembro (*)

 
(*) a ordem de saída destes volumes pode ser alterada sem aviso prévio.

Eunice Muñoz
“Ao critério da escolha presidiu a paixão, que privilegia os textos a que mais vezes dei a minha voz”

“Desde os tempos do Conservatório, onde ingressei com catorze anos, que leio e digo poesia”, revela Eunice Muñoz. Apesar de conviver com a poesia desde a juventude, foi apenas aos 40 anos, aquando da sua primeira leitura pública na Livraria Buchholz, que a actriz percebeu a importância que a palavra dos poetas tem para si. A uma actriz é exigida a capacidade de simular as mais subtis tonalidades da fala humana, e “o melhor método de estudar as várias maneiras de falar é, não apenas saber ouvir os outros, mas também saber pronunciar o que dizem os poetas”. Depois desta primeira apresentação, “recitais, leituras e discos (…) multiplicaram-se”. Por isso, o principal critério para a escolha dos poemas foi “a paixão, que privilegia os textos a que mais vezes dei a minha voz, mas não exclusivamente, pois outros haverá que disse só para mim”.
 

Ramalho Eanes
“Estes são apenas alguns dos poemas de que mais gosto”

“Há poesia em Eugénio de Andrade, em Miguel Torga, como há poesia na mãe que amamenta o filho e que olha para ele com amor, como há poesia no olhar que a criança retribui à mãe”, explica António Ramalho Eanes no prefácio da sua selecção de poemas. Para o general e ex-Presidente da República, a poesia é “uma espécie de brisa fresca (...) que faz com que olhemos a vida, olhemos os outros, de uma maneira mais próxima e mais afectiva”. Perante o desafio de escolher os poemas da sua vida, Ramalho Eanes tentou, por um lado, “prestar homenagem” a Camões, Natália Correia, Miguel Torga e “tantos outros” e, por outro, referir poetas de países lusófonos, principalmente pelos “laços (...) que nos unem”. Mas, confessa por fim, “faltaria, certamente, à verdade se afirmasse que estes são os poemas da minha vida. Estes são apenas alguns dos poemas de que mais gosto.”
 

Francisco Pinto Balsemão
“Um grupo de preferências consolidadas ao longo da vida”

Foi no Liceu Pedro Nunes e pelas mãos do seu professor de Literatura Portuguesa que Francisco Pinto Balsemão descobriu Camões e Pessoa, autores cujos textos têm lugar de destaque entre os poemas da sua vida. Porém, nesta sua “antologia poética” há espaço para muitos mais poetas. “Sá de Miranda, Pascoaes, Florbela, Régio, integram um grupo de preferências consolidadas ao longo da vida”. Já “Dante aparece por obra e graça da magnífica tradução de Vasco Graça Moura” e “Alexandre O'Neill porque, tendo-o conhecido relativamente bem, aprofundei, há muitos anos, a devoção pela sua irresistível obra poética”, afirma o ex-primeiro-ministro e presidente da Impresa. Há ainda espaço para Baudelaire, Yevtuchenko, Lorca, Tagore e Prévert. De fora ficam “Antero, Cesário, Pessanha, Nobre, Sophia, Alegre, Cecília Meireles, José Luís Peixoto”. “Ficam para a próxima edição”, sugere Pinto Balsemão.
 

Jorge Pinheiro
Poemas “ligados a recordações que gravitam em torno de dois tempos”

Para o pintor Jorge Pinheiro, a sua antologia de poemas é marcada por dois tempos, um associado ao pai e outro à mulher. Por isso, escreve no prefácio: “Se, para além do universo da poesia, eu cresse na existência de um assento etéreo onde a memória desta vida se consente; se acreditasse que o meu Pai e a minha Mulher aí me escutariam, convidá-los-ia, agora, a compartilhar a selecção destes poemas, porque de ambos sou devedor.” Tudo começou na biblioteca do pai (“pequena mas seleccionada”), onde desenvolveu o gosto pela leitura, primeiro pelos autores portugueses e franceses. Mais tarde, graças ao contributo da mulher, passou a ler também os poetas ingleses e românticos alemães. E foi através do folhear de uns e outros livros que escolheu os poemas da sua vida, “ligados a recordações que gravitam em torno destes dois tempos”.
 

Carlos do Carmo
Na selecção “estão presentes poetas muito diversos que deram ao fado alguns momentos mágicos”

Há já alguns anos que Carlos do Carmo fez do fado a sua forma de expressão. Assim, foram muitos os poemas que envolveu na magia deste género musical, até porque “a música do fado, qual sonda, traz consigo o balanço da narrativa, da pequena história do amor embrulhado na alma”. Entre os textos que o fadista escolheu para a colecção Poemas da Minha Vida, encontram-se poemas de “poetas muito diversos, dos mais consagrados aos mais simples e populares, que deram ao fado alguns momentos mágicos”. “Seleccionei algumas dezenas de fados e canções que tenho cantado ao longo das últimas décadas. (…) Escolhi algumas canções que estão muito ligadas aos meus afectos”. Entre os autores escolhidos, destacam-se poetas e escritores de canções como Ary dos Santos ou Sérgio Godinho, sem esquecer o brasileiro Chico Buarque, que “faz de cada canção um hino à inteligência”.

 

Eduardo Lourenço
A poesia “é o único céu portátil de que estamos certos”

“Nem todos terão sido, em sentido próprio, os ‘poemas da minha vida’. São-no agora, por assim dizer, a título póstumo”, explica o ensaísta Eduardo Lourenço. “Em si mesma, para cada um de nós, no momento em que nos toca, como se fosse o dedo de Deus, a Poesia esconde-nos da morte. É o único céu portátil de que estamos certos. Um céu de palavras, que de século em século se comunicam, a queimadura celeste que a vida deixou nos nossos vulneráveis corações.” Autor de obras de referência do ensaísmo português contemporâneo, como Fernando Pessoa Revisitado (1973), Tempo e Poesia (1974), O Labirinto da Saudade (1978), Poesia e Metafísica (1983) ou O Canto do Signo (1994), Lourenço recebeu, entre outros, o Prémio Camões e o Prémio Europeu de Ensaio.
 

Luís Portela
“Gosto de todos estes poemas sem preocupação de qualidade literária, de género ou de dimensão”

Apesar de se afirmar como um leitor mais atento de prosa, vários são os poetas que marcaram a vida de Luís Portela. Na “antologia poética” do presidente do grupo farmacêutico Bial podem assim encontrar-se desde os maiores nomes da literatura portuguesa “até simples compositores de música ligeira contemporânea”. À diversidade de autores corresponde uma extrema variedade de temas: “desde a amizade à simplicidade. Da ciência à paz. De Deus e de liberdade. De crianças, de aves e de mar. De vida, de espiritualidade e de amor.” O que têm então em comum os poemas escolhidos? “O que é mesmo comum a todos eles é serem do meu agrado. Gosto de todos estes poemas. Sem preocupação de qualidade literária, sem preocupação de género ou de dimensão”, refere Luís Portela que espera assim prestar homenagem “àqueles que sabem viver com poesia.”

 

José Casanova
“A poesia, companheira de todos os dias”

Escolher os poemas da sua vida foi para o dirigente comunista José Casanova uma viagem ao passado, marcada pelos “árduos caminhos da escolha”. Assim, Casanova foi levado a recordar o seu primeiro contacto com a poesia, que resultou da troca de um volume de História de Portugal pela Lírica de Camões. “Aí começou o meu mais belo e duradouro romance de amor: com a poesia, desde então companheira de todos os dias, acendendo ou avivando alegrias, compartilhando tristezas e mágoas, segredando coragens necessárias”, conta o director do Avante. Posteriormente, em Lisboa, fez a sua “primeira compra de poemas” e descobriu as cantigas de amigo e as de amor, “um imenso amor à primeira vista que perdurou”. Devido a essas ocasiões especiais encontrou “mil poetas/poemas”, alguns dos quais eleitos para participar agora na sua selecção poética.
 

Nuno Grande
“A poesia tem sido um processo vigoroso de intervenção”

Para Nuno Grande, o mais difícil foi reduzir a escolha dos poemas da sua vida, aqueles que estão subjacentes aos valores que definem a sua identidade, a apenas cinquenta. “É tarefa que me deixa a sensação de ter esquecido poemas e poetas que foram também fundamentais no enriquecimento da minha sensibilidade e da aquisição dos valores que estruturam a minha forma de estar no mundo”, diz o médico e professor universitário. Nuno Grande centrou a sua escolha em poetas e poemas que, mesmo tendo sido escritos numa fase de repressão política, constituíram um exemplo “de coragem ou de resistência”. “A poesia tem sido um processo vigoroso de intervenção dos criadores que são, muitas vezes, a consciência das comunidades a que pertencem”, afirma. Entre os poetas escolhidos encontram-se Rodrigo Santos e Alda Lara.
 

 

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