
A cooperação estratégica com José Sócrates já é passado, vem aí a coabitação. Pode não ser o regresso aos tempos do conflito institucional dos anos 90, com Mário Soares em Belém e Cavaco Silva em São Bento, mas o Presidente da República reeleito tem o poder refrescado para agir. Para um mandato "mais livre", como esperam dirigentes do PSD e do CDS. Mais actuante, como o próprio Cavaco admitiu. E os sinais de tensão vão-se somando.
Cavaco Silva assumiu-se ontem como o Presidente do Portugal inteiro, uma referência ao facto de ter ganho em todos o país. Mas caracterizou a sua vitória como a da dignidade contra a infâmia e da mentira contra a calúnia.
Na hora da vitória, não foi capaz de esquecer os ataques de que foi alvo. Lembraria aqui que ele abordou o debate televisivo com Manuel Alegre, em Dezembro, por um ataque pessoal, sugerindo que o seu adversário era mentiroso. Mas sobretudo que, no momento em que ganha, espera-se de um Presidente que una e esqueça os agravos da luta política, por muito duros que esses possam ter sido. Cavaco personalizou a sua reeleição e, com isso, dividiu.